Flávio pagou R$ 600 mil a empresa ligada a manipulação eleitoral
O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), pagou R$ 600 mil à empresa de cibersegurança Elytron, que foi associada a uma denúncia sobre a oferta de um sistema de inteligência artificial (IA) para manipulação política clandestina em eleições.
O Partido Liberal (PL) também declarou ter pago R$ 131,9 mil à companhia.As informações foram publicadas na tarde desta sexta-feira, 16, pelo The Intercept Brasil, que teve acesso a documentos sobre a operação.
Segundo a reportagem, a tecnologia apresentada pela empresa incluiria coleta e cruzamento de dados de eleitores, criação de contas falsas nas redes sociais, disseminação de boatos e desinformação, além de técnicas de infiltração e guerra psicológica para desacreditar adversários.O material foi entregue ao Intercept pelo empreendedor e tecnologista norte-americano Vincent Edward Reed, que atuou como consultor da Elytron entre 2024 e 2025.
Ele afirmou ter rompido com a empresa após avaliar que o sistema poderia violar preceitos éticos e legais.
Reed também disse ter denunciado a operação ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos.A reportagem ressalta, porém, que não há evidências de que o sistema de manipulação política denunciado por Reed tenha sido utilizado por Flávio Bolsonaro ou pelo PL nas eleições de 2026.
Pagamentos registrados na Justiça EleitoralDe acordo com os dados consultados pelo Intercept no sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro registrou pagamentos à Elytron que somam R$ 600 mil.
As despesas aparecem em notas fiscais descritas como serviços de consultoria em tecnologia da informação, com referências a atividades como apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura.A prestação de contas parcial apresentada pela campanha no fim de setembro, segundo a reportagem, indicava uma despesa de R$ 1 milhão com a empresa.
Já o PL declarou um pagamento de R$ 131,9 mil à Elytron, registrado em julho, descrito como prestação de serviços técnico-profissionais.Procurada pelo Intercept, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que não contrata serviços que violem a legislação eleitoral.
A assessoria classificou como grave e de “claro viés político eleitoreiro” a tentativa de associar a contratação de serviços de segurança da informação a práticas de manipulação política, e declarou que o procedimento ocorreu de forma regular.Empresa nega oferta de manipulação políticaApós a publicação da reportagem, a Elytron também se manifestou e negou envolvimento em operações clandestinas de influência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.