Aliados reagem a Trump e defendem exercícios militares com EUA diante da ameaça da Coreia do Norte
A Coreia do Sul e o Japão minimizaram nesta terça-feira (18) as críticas do presidente americano, Donald Trump, às manobras militares conjuntas entre Washington e Seul e reforçaram a importância da cooperação regional. As declarações ocorrem após Trump anunciar uma redução da participação americana nos exercícios, justificando a medida por sua política de aproximação com Pyongyang.
O Japão também reagiu às declarações do presidente americano e insistiu na necessidade de manter uma frente unida entre os aliados. Tóquio ressaltou que a cooperação trilateral entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão é "essencial para a paz e a estabilidade da região".
Trump surpreendeu Seul no domingo (16) ao classificar os exercícios como "caros" e afirmar que eles transmitiam uma imagem hostil à Coreia do Norte. O presidente americano voltou a citar sua "excelente relação" com o líder norte-coreano Kim Jong-un para justificar a redução "considerável" da participação dos Estados Unidos no Ulchi Freedom Shield, exercício anual realizado pelos dois países.
Segundo Trump, não foi possível cancelar totalmente as manobras porque a decisão foi tomada tarde demais.
A medida se soma a uma série de iniciativas consideradas desfavoráveis a aliados históricos dos Estados Unidos desde o retorno do republicano à Casa Branca, em 2025.
Em resposta, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung declarou, por meio de assessores, que o objetivo fundamental dos exercícios não é "tratar uma entidade específica como adversária, mas preservar, com segurança e paz, a vida cotidiana da população".
Desde que assumiu o cargo, em 2025, Lee adotou uma política oposta à de seu antecessor, conhecido pela linha dura em relação ao Norte. O presidente sul-coreano passou a defender negociações sem condições prévias com Pyongyang. Até o momento, porém, o regime norte-coreano não respondeu às iniciativas de diálogo.
Os exercícios, iniciados na segunda-feira (17), devem durar 11 dias e terão como foco as lições extraídas da atuação das tropas norte-coreanas que combateram ao lado da Rússia na guerra da Ucrânia.
Tradicionalmente, as manobras mobilizam cerca de 18 mil militares sul-coreanos, além de integrantes das forças americanas estacionadas no país, que somam aproximadamente 28.500 soldados.
Seul afirmou que os exercícios começaram "como previsto" e manifestou a expectativa de que a relação pessoal entre Trump e Kim Jong-un possa abrir caminho para um "diálogo construtivo" e futuras negociações.
Donald Trump já tentou negociar diretamente com Kim Jong-un durante seu primeiro mandato .
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