Denúncia de pressão do STF no centrão precisa ser investigada
O bolsonarismo passou anos tentando desacreditar a lisura das eleições brasileiras e a imparcialidade do STF e do TSE. Nunca apresentou evidência.
Agora há uma denúncia com potencial explosivo e que vem da imprensa profissional. Dirigentes de PP, União Brasil e Republicanos teriam desistido de se aliar a Flávio Bolsonaro com medo de que as investigações contra eles avançassem no Supremo.
O tema já vinha sendo sugerido em algumas colunas e matérias, mas a manobra foi escancarada pelo colega Caio Junqueira, da CNN Brasil. Na terça passada, ele afirmou publicamente, com todas as letras, que há juízes em Brasília que mandaram recados às lideranças do centrão dizendo que, se fechassem acordo com Flávio, as investigações contra eles avançariam. Citou o caso Master como pano de fundo da ameaça.
A acusação, caso comprovada, mostra uma interferência direta na disputa presidencial contra o candidato do PL.
Caio Junqueira já havia tratado do assunto dias antes, numa coluna própria. Escreveu que o motivo apontado nos bastidores para o fracasso da articulação era "o medo que caciques do centrão têm de uma retaliação vinda do governo via Polícia Federal e principalmente de setores do Judiciário por meio do avanço de investigações contra eles, em especial no caso Master".
Reportagem da Folha de 4 de agosto registra que pessoas próximas a Flávio Bolsonaro responsabilizam a Polícia Federal e ministros do Supremo por amedrontarem políticos com o avanço de investigações caso apoiassem o presidenciável.
Em Brasília, circulou a versão de que dirigentes do centrão procuraram ministros do STF para perguntar se uma aliança com o PL traria problemas para eles, e a resposta foi algo como "melhor não se aliar mesmo", o que fez com que desistissem do apoio.
Comentou-se também que emissários do atual presidente, com seu aval, negociaram com as cúpulas de Republicanos, União Brasil e PP um pacto de não agressão nesta campanha, deixando a porta aberta para negociações num eventual governo Lula 4.
Flávio disse, na posse de Kassio Nunes Marques no TSE, que espera "neutralidade, nada além disso" , e atribuiu à gestão de Alexandre de Moraes o desequilíbrio da disputa de 2022. Ele recuou das insinuações sobre as urnas eletrônicas, mas segue entoando o mantra bolsonarista de que a Justiça jogou contra seu pai na derrota para Lula na última eleição.
A Constituição veda ao magistrado atividade político-partidária, no artigo 95, parágrafo único, inciso III. A Lei 1.079/1950 tipifica a conduta como crime de responsabilidade de ministro do Supremo.
A campanha de Flávio é, até o momento, amadora e caótica, com rachas internos expostos semana após semana. Mesmo a escolha de um vice para compor a chapa foi um martírio a céu aberto. Ninguém de fora precisa, em tese, fazer nada para que ela tropece em outubro. Muito menos quem está proibido por lei de fazer, como ministros do Supremo.
A pesquisa Quaest divulgada na sexta mostrou empate técnico no segundo turno. Numa disputa assim, coligação não é detalhe.
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