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Segura a sua transfobia: não são as mulheres trans que estão nos matando

UOL Esporte ·
Segura a sua transfobia: não são as mulheres trans que estão nos matando

Quando a Confederação Brasileira de Vôlei determinou que as atletas seriam a partir de agora avaliadas para que fosse determinada sua taxa de feminilidade, muitos homens se levantaram em apoio à CBV. São homens quase sempre bastante cristãos que, falando em nome de Deus, dizem que não vão admitir que mulheres (cisgênero) tenham que disputar espaço no esporte com, nas palavras deles, "homens". Quando dizem "homens" eles se referem a mulheres transgênero: mulheres que, tendo sido identificadas como o sexo masculino no nascimento, decidiram fazer uma transição de gênero.

Estamos falando de pessoas enfurecidas com a participação de mulheres trans no esporte que nunca assistiram a um set de vôlei feminino, que acham ridículo mulheres atletas, que debocham de jogos femininos e que só sabem avaliar uma profissional se ela estiver dentro de um padrão estético muito rígido. São homens que nunca lutaram por premiações iguais para homens e mulheres no esporte, que não se importam quando treinadores e dirigentes estupram esportistas, que não colocam suas filhas para correrem atrás de uma boa e exigem delaa comportamento passivo e silencioso. São os mesmos que acham que mulheres devem ficar em casa e cuidar da família. São esses alecrins que agora estão preocupadíssimos com a participação de mulheres trans em esportes de alto rendimento.

Não sabem apontar o caso de uma mulher trans que tenha tido vantagem em qualquer competição. Quando questionados se transformam no meme da Renata Sorrah. Não sabem tampouco apontar pesquisas que mostrem que mulheres trans levam vantagem no esporte. Viram uma tela preta de computador.

O caso da boxeadora argelina Imane Khelif é pedagógico. Como ela não atende aos requisitos básicos de feminilidade - um padrão estabelecido por homens -, foi falsamente chamada de "homem" e banida de algumas competições. Khelif é uma mulher cisgênero que não imprime a feminilidade desejada pelo patriarcado. Basta. A transfobia atinge também pessoas cisgênero porque ela contém misoginia e machismo. A transfobia, se não for combatida, vai pegar todas nós. São as confederações, os médicos e o estado que determinarão o que somos? Quanto de mulher existe em cada uma de nós? Você é suficientemente mulher? Onde eles vão parar? Quando deixaremos de ser julgadas?

Como exatamente as mulheres trans estão prejudicando as mulheres cis - no esporte e na vida? Não existe apenas uma forma de ser mulher, embora queiram nos reduzir a uma massa monolítica que existe para servi-los em cuidados gerais, incluindo os emocionais e sexuais. Homens extremamente machistas agora fingem se importar com mulheres cis supostamente prejudicadas por mulheres trans. O truque de colocar mulheres uma contra a outra, grande ferramenta do machismo, segue forte e positivo-operante.

Precisamos ser protegidas do machismo e de machistas e não de mulheres trans. Não são mulheres trans que estão nos matando, abusando de nossos corpos, se recusando a nos pagar o mesmo salário de um homem. Não são mulheres trans que passam a mão em nossos corpos na rua, no transporte público. Não são mulheres trans que estupram nossas filhas e filhos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.

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