Cortar metano passa de atalho a obrigação com ‘overshoot’, dizem especialistas
Cortar as emissões de metano era considerado um atalho para combater os efeitos da mudança climática em 2021, quando o aquecimento global já assustava com 1,15°C.
Após a ONU alertar para a inevitabilidade do “overshoot”, virou obrigação, dizem especialistas.
Em agosto, mês mais quente da história, o aquecimento chegou a 1,65°C.
Saiba mais notícias no canal do Bem Paraná “Overshoot” é o termo usado pelos cientistas para descrever a trajetória de aquecimento acima do 1,5°C preconizado pelo Acordo de Paris.
Cumpridas as metas atuais dos países signatários, o planeta caminha para chegar ao fim do século 1,8°C mais quente.
Por uma régua mais realista, com o atual nível de emissões, o aquecimento alcançaria 2,8°C.
“Se passar de 2°C, vamos atingir um grande número de pontos de não retorno.
E um deles, terrível para nós, será a Amazônia”, diz o climatologista Carlos Nobre, alertando para um dos piores efeitos deletérios do “overshoot”, a perda de ecossistemas inteiros.
No caso brasileiro, a savanização de seu principal bioma.
Como informa o último relatório do Pnuma, o programa das Nações Unidas para o meio ambiente, um caminho sem volta, pois baixar os termômetros não reverterá os estragos em florestas tropicais, recifes de corais, montanhas polares e outros sistemas já vulneráveis à mudança climática.
“Vamos gerar a extinção de espécies, dezenas de milhares, se não acelerarmos o corte de emissões”, afirma Nobre.
O jeito mais rápido de começar a fazer isso é pelo corte de metano, responsável por um terço do aumento global de temperatura.
O CH? é um dos chamados superpoluentes climáticos de vida curta, com comportamento diverso do CO?, o dióxido de carbono, o principal vilão da história, responsável por metade do aquecimento.
O tema estará em discussão a partir deste domingo (20) na Semana do Clima, em Nova York, que ocorre em paralelo à Assembleia Geral da ONU.
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