O pastel de vento que você chama de diploma
Um carro moderno tem, em média, trinta mil peças.
Surpreenderia saber que cerca de seis mil delas, 20% do total, estão lá não porque fazem o carro andar melhor, mas porque o comprador, na hora de fechar o negócio, pergunta sobre elas? São peças de sinalização: existem para convencer, não para funcionar.
Não é o caso dos carros, mas sim dos diplomas de graduação no Brasil.
Em 2023, uma pesquisa do IBGE revelou que 1 em cada 5 graduados está subempregado, exercendo funções que sequer exigem diploma.
E a questão que incomoda não é o número: é o que ele revela sobre o sistema.
A culpa é das empresas que pagam mais por quem apenas provou ser capaz de cumprir tarefas? É dos profissionais que se acomodaram antes mesmo de ingressar no mercado? Ou ainda das instituições que entregaram um diploma onde deveriam ter entregado formação? O diploma como sinalização social A realidade é que grande parte dos cursos superiores opera como mecanismo de certificação social, não de formação real.
Bryan Caplan, em “ The Case Against Education”, estimou que até 80% do prêmio salarial associado ao diploma universitário é puro efeito de sinalização.
O diploma diz ao empregador que o candidato é esforçado e capaz de completar tarefas longas, mas não diz nada sobre sua capacidade de resolver problemas, liderar equipes ou gerar resultado.
E se essa certificação social não gera valor real para o mercado, o próprio mercado cobrará a conta, com juros.
Adam Smith, em “A Riqueza das Nações”, não estava falando de diplomas, mas poderia estar: argumentou que a especialização do trabalho só eleva a produtividade quando gera competência real, não quando produz trabalhadores treinados para parecer competentes.
O livre mercado, na arquitetura de Smith, é um mecanismo de correção: preços e demanda sinalizam onde há valor de verdade e onde há apenas aparência.
O problema é que esse mecanismo é lento.
E enquanto ele demora a agir, geração atrás de geração paga a conta de um sistema que entrega sinalização onde prometeu formação.
A inflação de credenciais no mercado Não se pode negar que essa ineficiência foi em parte alimentada pela própria liberdade de mercado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhavitoria.com.br — o conteúdo pertence a Folha Vitória.