PCC caminha para tomar Saúde e setor de ONGs no governo Tarcísio em SP, apontam autoridades
A teia de influência e penetração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas estruturas formais do Estado e da economia de São Paulo rende novas preocupações para as autoridades paulistas.
Os desdobramentos de uma ostensiva ação conjunta conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, batizada de Operação Vectura Corrupta, levada a cabo nesta quinta-feira (17), lançaram luz sobre estratégias que vão muito além dos limites do mercado de transportes ou do comércio ilícito de entorpecentes.
Documentos e decisões exarados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo revelam que o aparato de segurança pública monitora movimentos que sinalizam a intenção explícita da organização criminosa de fincar raízes nas áreas de saúde pública e de ONGs, o chamado terceiro setor.
O epicentro da ofensiva policial teve impacto político imediato ao atingir diretamente uma das figuras mais proeminentes da política da capital: o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), aliado de peso do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e detentor de expressivo trânsito nos bastidores do poder estadual.
A decretação de medidas cautelares contra o ex-parlamentar e contra o ex-comandante da SPTrans, Levi de Oliveira, insere-se em um quadro onde investigados são apontados por atuar como elos ou facilidades para a consolidação de interesses empresariais sob sombra da facção.
Embora o combate às fraudes e ao aparelhamento das concessões de ônibus urbanos seja a espinha dorsal dos trabalhos investigativos, indicando que mais da metade das concessionárias operantes no sistema de passageiros da capital e do litoral poderiam estar sob comando direto ou indireto do grupo, a maior apreensão das autoridades reside na capacidade de mutação do modelo de negócios do crime.
Apurações prévias anexadas ao processo detalham diálogos e planos formulados por alvos da operação que projetavam a fundação de Organizações Não Governamentais (ONGs) com vistas a abocanhar contratos de gestão e serviços na saúde municipais e estadual.
A estratégia mapeada pelos peritos da polícia judiciária aponta para a replicação da mesma engenharia aplicada ao sistema viário: a utilização de intermediários, laranjas e estruturas corporativas aparentemente idôneas para ingressar em certames licitatórios de grande porte.
Ao migrar para a saúde pública e para entidades do terceiro setor, a organização criminosa busca garantir não apenas a lavagem contínua de vultosos recursos financeiros, mas também o acesso a uma capilaridade social que confere poder político, blindagem institucional e inserção direta em serviços essenciais prestados à população vulnerável.
As ações são diametralmente opostas ao que afirma Tarcísio, de que seu governo “combate as organizações criminosas”.
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