A cigana leu o meu destino
“Sobre o vosso jazigo – homem político – Nem compaixão, nem flores.
Apenas o escuro grito dos homens”. (Hilda Hilst, em Poemas, aos homens do nosso tempo”).
Neste ano, faz 50 anos que eu cheguei a Brasília para estudar e fazer minha vida.
Saí da minha então pequena Patos de Minas, pois lá não existia faculdade e eu queria ser advogado, na impossibilidade de ser poeta.
Fui antes, por uma questão financeira, morar em Goiânia.
Meu querido irmão, que morava lá estudando engenharia, conseguiu um barraco de 12 metros quadrados, com teto de zinco – em Goiânia, fazia 50 graus – e com um pequeno banheiro do lado de fora.
Eu nunca usei toalha lá; tomava banho, ia andando nu para o barraco e chegava seco.
Eu recebia e escrevia tantas cartas que fiquei superamigo do carteiro.
Bons tempos sem celular, sem computador, sem televisão.
Livros, cartas, recitação de poesia e muita conversa.
Eu tinha dinheiro para tomar uma cerveja ou uma caipirosca por dia.
Todo fim de tarde eu sentava em um boteco na Praça E e me sentia poderoso morando fora de Patos.
Um dia, uma cigana linda pediu para ler a minha mão e disse, olhando nos meus olhos: “Nossos destinos estão traçados”.
Em 48 horas eu estava morando com ela em uma casa enorme que o pai havia ganhado no jogo de pôquer.
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