Tarifaço dos EUA cria rotas indiretas para produtos brasileiros, diz Furlan
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil já começa a provocar mudanças nas rotas do comércio internacional.
Empresas brasileiras estão vendendo produtos ao México, enquanto os mexicanos direcionam parte dessa produção aos Estados Unidos e recompõem seus estoques com mercadorias brasileiras, segundo o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan.
“Eu já sei, por exemplo, de empresas brasileiras que estão vendendo para o México e os mexicanos vendem o produto produzido lá nos Estados Unidos e compram do Brasil para repor aquilo que estão mandando”, afirmou Furlan, em entrevista em Luanda, Angola.
O movimento mostra como as cadeias globais podem se reorganizar diante de barreiras comerciais .
Em vez de simplesmente interromper o comércio, uma tarifa pode alterar a origem, o destino e a rota dos produtos, com empresas buscando alternativas para manter o abastecimento.
Leia Mais O custo invisível da Reforma Tributária para a logística aérea brasileira Após tarifaço, Flávio compara Lula a Biden: "ranzinza" e "inconsequente" Flávio culpa Lula por novas tarifas e diz que pode negociar com Trump Para Furlan, o comércio internacional funciona como um sistema de “vasos comunicantes”: quando um canal é dificultado, os fluxos procuram outros caminhos.
“Não vai se criar muito valor e também não vai se perder, porque há grandes empresas que têm agências de vendas, navios de transporte e, no final, essas coisas vão se ajustando”, disse.
O exemplo ganha relevância em um momento em que as vendas brasileiras aos Estados Unidos já mostram os efeitos das barreiras.
As exportações para o mercado americano somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, queda de 12,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os produtos submetidos às maiores sobretaxas, a retração chegou a 31,5%.
Ao mesmo tempo, as exportações brasileiras para o restante do mundo cresceram 10,5% no período, sinal de que parte dos embarques está sendo redirecionada para outros mercados.
“Paciência e prudência” Diante do tarifaço, Furlan defende que o governo brasileiro evite transformar a disputa comercial em uma guerra política.
Na avaliação do ex-ministro, o impacto das tarifas é desigual entre os setores e não representa necessariamente um problema generalizado para a economia brasileira.
Por isso, ele considera mais adequada uma estratégia de negociação e adaptação das empresas.
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