Moraes determina busca e apreensão contra fonte de jornalista em reportagens sobre Flávio Dino
Operação autorizada pelo STF mira ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim, após perícia em celular de repórter que denunciou suposto uso irregular de carros oficiais por familiares de Flávio Dino
Nesta terça-feira (11), Moraes determina busca e apreensão contra fonte de jornalista no Maranhão, o ex-secretário de Segurança Pública do estado, Raimundo Cutrim. Cutrim é apontado como a fonte de Luís Pablo Conceição Almeida em reportagens feitas contra o ministro Flávio Dino e familiares sobre suposto uso irregular de um veículo oficial do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão).
A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) atendeu a um pedido da Polícia Federal com parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República) .
Em março, Luís Pablo havia sido alvo de busca e apreensão após ter realizado reportagens que apontaram que Dino e seus familiares teriam usado de forma contínua um Toyota SW4 em deslocamentos privados por São Luís (MA), adquirido com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados.
O automóvel, que faz parte da frota restrita do TJ-MA, seria destinado exclusivamente ao presidente do tribunal, a corregedores ou ao suporte eventual de autoridades em serviço. Em seu blog, Luís Pablo afirmou ainda que o carro possuía placa reservada e seria abastecido com verbas do próprio tribunal.
Na ocasião, o jornalista teve seu celular e computador apreendidos. A ordem foi expedida no âmbito do Inquérito das Fake News , aberto em 2019 com o objetivo inicial de apurar “fatos e infrações relativas a notícias fraudulentas e ameaças veiculadas na internet que têm como alvo a Corte, seus ministros e familiares”.
Em entrevista concedida ao Estadão à epoca, Luís Pablo afirmou que era jornalista há muitos anos e sempre exerceu sua profissão “com responsabilidade, tratando de temas de interesse público”. Além disso, ele declarou que “as reportagens que motivaram a investigação foram produzidas dentro da atividade jornalística”.
De acordo com José Berilo de Freitas Leite, advogado de Cutrim, o mandado que relatava a quebra de sigilo nos celulares de Luís Pablo teria levado os investigadores a identificar Cutrim como o responsável pelo repasse de informações privilegiadas.
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