Recrutamento de menores por grupos armados disparou na Colômbia, diz ONG
O recrutamento de crianças e adolescentes por grupos armados “aumentou drasticamente” na Colômbia, segundo um relatório da organização Human Rights Watch publicado nesta segunda-feira (24).
No documento, a organização afirma que, de acordo com uma análise de dados da Defensoria do Povo da Colômbia, pelo menos 1.500 crianças e adolescentes foram recrutados por grupos armados no país desde 2021, com um “forte aumento” dos casos desde 2023.
Grupos dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) , desmobilizadas após o acordo de paz de 2016, seriam responsáveis por 74% dos recrutamentos entre 2021 e 2025, ocorridos principalmente no departamento do Cauca, no sudoeste colombiano.
Leia mais "Escudo das Américas": Entenda aliança contra o crime organizado EUA fazem operações militares contra cartéis e narcotráfico no Equador Brasil envia 19 toneladas de arroz à Colômbia após terremoto no país De acordo com a organização, crianças indígenas representam quase metade dos casos documentados, apesar de os povos indígenas constituírem apenas 4% da população do país.
Mais de 30% dos recrutados tinham idades entre 10 e 14 anos, o que a organização indica que poderia ser classificado como crime de guerra segundo o Estatuto de Roma da Corte Penal Internacional.
“As plataformas de redes sociais desempenham um papel crucial nas estratégias de recrutamento utilizadas pelos grupos armados”, constata o relatório.
Redes como TikTok e Facebook são, segundo a Human Rights Watch, utilizadas pelos grupos armados para difundir “propaganda que glorifica a vida armada” e “promover ofertas de trabalho enganosas como mecanismo de recrutamento”.
A organização identificou dezenas de perfis e publicações nas redes TikTok e Facebook que incentivaram os usuários a se unir a grupos armados.
“Alguns perfis tinham o nome de um grupo armado ou de uma de suas facções ou frentes, enquanto outras pertenciam a pessoas que afirmavam ser parte de grupos armados ou apoiá-los”, aponta o relatório.
Em conjunto, segundo a organização, esses perfis tinham mais de 85 mil seguidores e alguns vídeos obtiveram mais de 250 mil visualizações e mais de 50 mil curtidas.
A Human Rights Watch afirma ter enviado uma lista de 35 perfis para a ByteDance, empresa proprietária do TikTok , e 16 para a Meta, dona do Facebook, em julho de 2026, e que em agosto as empresas informaram para a organização que todos foram removidos.
Nas duas plataformas, no entanto, os pesquisadores constataram o surgimento de novos conteúdos promovendo grupos armados.
Os vídeos analisados “mostravam armas, uniformes, maços de dinheiro, braceletes identificando cada grupo armado e roupa de estilo militar”.
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