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Chineses conhecem a Lina Bardi brasileira, da Civilização da Sobrevivência

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Chineses conhecem a Lina Bardi brasileira, da Civilização da Sobrevivência

A arquiteta Lina Bo Bardi tinha em casa o livrinho vermelho de Mao, com citações do líder chinês. Na Itália, antes de se fixar no Brasil, foi do Partido Comunista. Mas não é esta Lina que os chineses veem até outubro na célebre Power Station of Art, em Xangai. "A China hoje está numa outra perspectiva política", diz o curador Renato Anelli. "Não dava para eu chegar com o Livro Vermelho."

Na mostra, ele apresenta uma arquiteta "contextualizada no Nordeste", na pesquisa etnográfica que ela fez pelo interior da Bahia, Pernambuco e Ceará. "Essa visão que ela chama de Civilização da Sobrevivência", explica. Uma visão que vai resultar depois no que Anelli chamou de Poética da Sobrevivência, título da exposição que busca evidenciar sua "inserção na cultura brasileira, algo que é pouco entendido fora do Brasil".

É dividida em quatro zonas, com a chegada ao Brasil e projetos como a Casa de Vidro; depois a Civilização da Sobrevivência, com o Museu de Arte Moderna da Bahia; um interlúdio de resistência pós-golpe de 1964, com a construção do Masp e os cenários para teatro; e por fim a Poética da Sobrevivência, com o projeto de transformação de uma antiga fábrica no Sesc Pompeia.

O saguão da PSA, originalmente uma usina termelétrica que datava da dinastia Qing, remete ao espelho d'água de Lina no Sesc Pompeia. "O Li Hu propôs e eu topei", diz Anelli. "Coube ali, com o mesmo tamanho. E eles interpretaram. No original, você tem o movimento da água. Então ele pegou essa poética chinesa dos pingos d'água, dos anéis, que caem de 15 metros de altura."

Segundo o curador, que se aposentou como professor da FAU-USP, foi uma forma de ir além do olhar brasileiro na curadoria. Li Hu, em texto sobre a execução do projeto da exposição, no site de seu estúdio Open Architecture , anotou: "Nos arredores de Xangai, encontramos pedras quase idênticas em cor e tamanho às do Sesc Pompeia, que recriaram lindamente a atmosfera".

No "interlúdio de resistência", Anelli incluiu um vídeo recente do Teatro Oficina, um dos últimos projetos de transformação de Lina, com cenas tomadas por drones. Também há registros de "Na Selva das Cidades", de 1969, com cenografia criada por Lina em resposta à destruição trazida pelo Minhocão. Na cena final da peça, sob direção de Zé Celso, os atores arrancavam o piso do palco para chegar ao solo, à terra.

Vem daí, em parte, o plano para um parque no entorno do Oficina . O projeto vencedor se inspira no conceito de cidade-esponja do arquiteto chinês Kongjian Yu , morto em acidente aéreo no Brasil. Ele também propunha chegar à terra.

No auge do verão na China, a comédia dramática "Bem-vindo ao Restaurante Loong" (Once Upon a Time in the Middle East, no título em inglês) resistiu à estreia do blockbuster americano "A Odisseia" e se manteve na dianteira nas bilheterias chinesas do último fim de semana (sexta a domingo): 478 milhões de yuan (R$ 366 milhões) contra 189 milhões de yuan (R$ 145 milhões), segundo a consultoria Artisan Gateway.

O filme é protagonizado pelo comediante chinês Shen Teng, como um chef que abre restaurante num país árabe e se vê no meio de um ataque dos Estados Unidos. Acaba abrigando e alimentando famílias atingidas.

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