O dia em que, sem querer, Laura Cardoso desafiou a moda
Aos 16 anos, nos anos 1940, quando calças compridas ainda eram vistas com desconfiança para mulheres, Laura Cardoso decidiu incorporá-las ao guarda-roupa — e causou estranhamento pelas ruas do Bixiga, em São Paulo.
A razão estava longe de ser uma provocação fashion.
Laura simplesmente achava as calças mais confortáveis.
O problema é que, naquela época, uma adolescente de calças não passava despercebida.
Segundo relatos da própria atriz, os vizinhos olhavam atravessado quando ela circulava pelo bairro usando a peça, que ainda carregava para as mulheres um forte simbolismo de transgressão.
Hoje, a cena parece banal.
Mas, nos anos 1940, vestir calças compridas era quase um manifesto de independência.
A peça começava a conquistar espaço no guarda-roupa feminino, impulsionada por mulheres que ajudaram a romper a associação entre feminilidade e saias e vestidos.
Laura, sem discurso feminista ou intenção de fazer história, porém, simplesmente escolheu aquilo que considerava melhor para si.
E há algo de muito contemporâneo nessa história.
A atriz não usou a moda para se encaixar em uma tendência — usou a roupa porque gostava dela.
Décadas antes de o conforto virar uma das palavras mais importantes do vocabulário fashion, ela já tinha entendido que estilo também pode nascer de uma escolha prática.
Continua após a publicidade Anos depois, a menina que caminhava de calças pelo Bixiga se tornaria uma das grandes damas da dramaturgia brasileira, atravessando gerações sem perder a própria identidade.
Mas, talvez, seu primeiro flerte com a moda tenha sido esse: colocar uma peça considerada masculina, sair de casa e não pedir licença para ninguém.
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