Justiça Eleitoral abre caixa-preta do X após questionamento sobre perfil de Nikolas Ferreira
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou que o X apresente informações sobre o tratamento dado ao perfil de Nikolas Ferreira (PL-MG) dentro do sistema que restringe a recomendação automática de contas de candidatos durante o período eleitoral.
A decisão foi tomada após uma representação apresentada por João Gabriel Prates (PT-MG) , candidato a deputado federal, com base em reportagem do ICL Notícias que apontou que o perfil de Nikolas não aparecia na lista pública de contas submetidas à regra eleitoral.
O X terá 24 horas para informar se a conta de Nikolas integrou sua lista interna de desrecomendação , desde quando eventuais limitações foram aplicadas e quais mecanismos foram utilizados pela plataforma.
A empresa também deverá esclarecer se houve falha, atraso, inconsistência ou erro de sincronização entre a relação divulgada publicamente e os dados utilizados pelo sistema.
LEIA TAMBÉM: De R$ 36,8 mil a R$ 3,8 milhões: patrimônio de Nikolas Ferreira dispara 8.850% em quatro anos A regra eleitoral determina que plataformas com mecanismos de recomendação impeçam que perfis de candidatos sejam sugeridos automaticamente a usuários que não acompanham essas contas.
No X, a medida afeta principalmente a aba “Para Você”, responsável por indicar conteúdos a usuários.
A reportagem do ICL Notícias mostrou que a plataforma divulgou, em 14 de agosto, uma lista com 665 contas submetidas à restrição , mas que alguns perfis informados à Justiça Eleitoral não apareciam na relação, entre eles o de Nikolas Ferreira.
Na decisão, o desembargador Paulo Calmon Nogueira da Gama afirmou que a ausência do nome do candidato na lista pública não comprova, por si só, que houve irregularidade ou favorecimento .
A determinação tem como objetivo esclarecer se houve diferença entre os dados publicados e o funcionamento interno da rede social.
O tribunal também determinou que o X preserve por 180 dias registros técnicos relacionados ao caso, incluindo versões das listas utilizadas, logs de atualização e informações de sincronização.
Na semana passada, o Sleeping Giants Brasil também acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) após identificar 1.442 perfis de candidatos que teriam ficado fora do mecanismo criado pela plataforma para limitar recomendações automáticas durante as eleições de 2026.
Segundo a entidade, mesmo após a atualização da lista, o X teria continuado recomendando contas de candidatos a usuários que não os seguiam.
Para Humberto Ribeiro, diretor jurídico do Sleeping Giants Brasil, o caso levanta dúvidas sobre igualdade de tratamento entre candidaturas e transparência dos sistemas de recomendação das plataformas.
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