“O computador é 100% burro”, afirma programador brasileiro com 44 anos de experiência que vê exagero nas promessas sobre IA
Depois de atravessar diferentes gerações da computação, do BASIC em máquinas com processador Z80 ao desenvolvimento em Python, JavaScript e linguagens usadas em smartphones e microcontroladores, Eduardo Vieira continua ensinando aos seus alunos uma mesma ideia: computadores não pensam.
“Sempre ensino que o computador é espetacularmente burro.
É um burro muito rápido, mas é 100% burro” , escreveu o desenvolvedor em uma publicação no Facebook.
Segundo o próprio Vieira, são 44 anos de experiência em programação, iniciados em seu primeiro estágio com carteira assinada, aos 14 anos.
Atualmente, ele afirma continuar dando aulas e assumindo projetos específicos de desenvolvimento.
Essa trajetória é o ponto de partida para uma crítica bastante mais ampla.
Vieira rejeita a ideia de que o avanço dos sistemas atuais signifique que máquinas estejam próximas de uma inteligência comparável, ou superior, à humana.
Ao falar sobre o que chama de “singularidade digital”, resume seu ceticismo em outra frase: “Estão vendendo óleo de cobra a peso de ouro.” Consciência é necessária para uma máquina ser inteligente? Para o desenvolvedor, a situação não poderá mudar “a não ser que se desvende o mistério da consciência humana”.
Em outras palavras, seria necessário compreender primeiro como surge nossa própria consciência antes de criar uma máquina capaz de realmente pensar.
A ciência ainda está longe de resolver a primeira metade desse problema.
Pesquisadores não chegaram a um consenso nem mesmo sobre o que dá origem à consciência humana.
Isso, porém, não estabelece que consciência seja obrigatoriamente um pré-requisito para inteligência artificial.
A relação entre os dois conceitos continua em disputa.
Um trabalho publicado em junho de 2026 na revista Synthese oferece um contraponto direto a essa visão .
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