Dois títulos da UNESCO na mesma ilha: a capital nordestina fundada por franceses em 1612 que guarda 4 mil casarões coloniais e a festa junina reconhecida como Patrimônio da Humanidade
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Reconhecimento internacional de patrimônio costuma vir isolado, ou pelas pedras ou pelas tradições. São Luís , capital do Maranhão , conseguiu os dois: o centro histórico entrou na lista de Patrimônio Mundial da Unesco em 1997 e o Bumba meu boi maranhense virou Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2019 , tudo na mesma ilha erguida por uma expedição francesa há mais de quatro séculos.
O projeto se chamava França Equinocial , uma tentativa de colônia permanente nos trópicos. Conforme o Ministério do Turismo , a cidade foi fundada em 1612 pelo francês Daniel de La Touche , o Senhor de La Ravardière, e batizada em homenagem ao rei Luís XIII , o que a torna a única capital brasileira de origem francesa e a quinta cidade mais antiga do país.
O domínio francês durou pouco. Segundo a Câmara Municipal de São Luís , tropas portuguesas comandadas por Jerônimo de Albuquerque tomaram o território em 1615 , iniciando o período que definiu o traçado e a arquitetura da cidade. A herança do ciclo seguinte também pesou: a capital se tornou um centro exportador de algodão e arroz, riqueza que financiou os casarões que hoje sustentam o título internacional.
Reconheceram um caso raro de arquitetura europeia adaptada ao calor equatorial. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) , a capital foi tombada em 1974 e inscrita como Patrimônio Mundial em 6 de dezembro de 1997, com cerca de 4 mil imóveis dos séculos XVIII e XIX sob proteção estadual e federal.
O detalhe mais visível dessa adaptação está nas fachadas. Segundo o Iphan , os sobrados revestidos de azulejos portugueses estão entre os aspectos mais peculiares da arquitetura civil maranhense, concentrados sobretudo em construções da segunda metade do século XIX. Os azulejos nunca foram só enfeite: a superfície vidrada protege a alvenaria das chuvas longas e reflete o sol, o que ajuda a manter o interior mais fresco em uma cidade a poucos graus da linha do Equador.
Pelo tamanho e pela variedade do conjunto. Conforme o Iphan , o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão se diferencia de expressões parecidas em outros estados por reunir vários estilos e centenas de grupos, com uma relação direta entre fé, festa e arte que mistura devoção aos santos juninos, crenças de matriz africana e lendas da região.
A trajetória do reconhecimento levou quase uma década. A celebração virou Patrimônio Cultural do Brasil em 2011 , no Livro das Celebrações, e recebeu o título internacional em dezembro de 2019, em reunião do comitê da Unesco em Bogotá . O certificado só chegou à cidade seis anos depois: segundo o Iphan , a entrega aconteceu em agosto de 2025 na Capela de São Pedro , no bairro Madre Deus, ponto de encontro tradicional dos grupos de boi.
O roteiro se divide entre o centro tombado, na península formada pelos rios Anil e Bacanga , e a faixa litorânea mais moderna.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.