Reino Unido aciona Interpol para rejeitar pedidos de prisão da Argentina por Ilhas Malvinas
O Reino Unido pediu à Interpol que rejeite eventuais pedidos de prisão apresentados pela Argentina contra pessoas ligadas à exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas, administradas pelos britânicos como um território ultramarino desde 1833 e reivindicadas por Buenos Aires.
Em carta enviada à sede da organização, em Lyon, autoridades britânicas argumentaram que as solicitações de alertas vermelhos podem ter motivação política, segundo reportagem exclusiva do jornal britânico The Guardian , publicada nesta terça-feira, 13.
A iniciativa ocorre em meio ao agravamento da disputa entre os dois países pelos recursos naturais do arquipélago.
O projeto petrolífero britânico conhecido como Leão Marinho, localizado na Bacia Norte das Malvinas, no Atlântico Sul, tem potencial para triplicar o Produto Interno Bruto (PIB) das ilhas.
O presidente argentino, Javier Milei, prometeu impedir a exploração.
Também nesta terça-feira, o governo argentino anunciou ter solicitado medidas provisórias ao Tribunal Internacional do Direito do Mar para suspender as atividades de exploração de hidrocarbonetos autorizadas pelo Reino Unido na região.
A iniciativa veio após Milei dar a Londres, em 28 de setembro, um prazo de duas semanas para interromper o projeto, sob ameaça de ação judicial.
O ultimato expirou na segunda-feira, 12.
Segundo o The Guardian , o governo britânico teme que Milei utilize mecanismos internacionais de cooperação policial para pressionar profissionais e empresas envolvidos no empreendimento.
Na carta enviada à Interpol, Londres pediu cautela na análise de eventuais solicitações argentinas de detenção.
Continua após a publicidade Os alertas vermelhos da Interpol são solicitações para localizar pessoas procuradas e pedir sua prisão provisória enquanto se aguarda uma eventual extradição.
A organização, porém, não pode participar de intervenções ou atividades de caráter político, militar, religioso ou racial, conforme estabelece o artigo 3º de sua Constituição.
Segundo o Guardian , a entidade respondeu à correspondência britânica afirmando que respeitará essa restrição.
A emissão de um alerta não determina automaticamente a prisão: cabe às autoridades de cada país-membro decidir se atenderão ao pedido.
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