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O triunfo da viola no campo e na cidade

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O que os jesuítas, os bandeirantes, o poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696) e o cantor sertanejo e celebridade Gusttavo Lima têm em comum? Mesmo separados por sécu­los, todos tiveram uma viola em suas mãos.

Mais que um simples instru­mento, a viola é uma chave para com­preender a formação social do Brasil, principalmente no interior do país.

Introduzida por missionários jesuítas vindos de Portugal logo após o descobrimento, no século 16, ela começou sua trajetória na colônia, sendo utilizada na catequese dos povos originários.

Depois, foi adotada pela população das nascentes áreas urba­nas e dedilhada em festas populares e religiosas.

Aos poucos, foi se embre­nhando território adentro, acompa­nhando bandeirantes e tropeiros, tor­nando-se um símbolo da identidade do Brasil rural que vem se transfor­mando e se expandindo ao longo do tempo, sem perder seu caráter de organizadora das relações sociais, do modo de vida e das formas de perten­cimento das comunidades rurais.

“Desde sua chegada com os por­tugueses, a viola se ambientou bem no solo brasileiro, foi se acaipirando, até se tornar símbolo de uma socie­dade, de uma matriz cultural.

E, com as primeiras gravações, a partir de 1929, ela deu origem a um gênero, a música caipira, que sobrevive até hoje”, resume Luiz Antonio Guerra, violeiro, sociólogo, cientista político e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), que acaba de lançar o livro Uma sociologia da viola caipira (Edusp, 2026), baseado em sua tese de doutorado.

Defendida em 2021, a tese ganhou o Prêmio Silvio Romero de melhor monografia sobre cultura popular, o Prêmio Capes 2022 e o Prê­mio Destaque USP 2022.

Com subtítulo Os mestres de ontem e de hoje , o livro é dividido em duas partes.

Na primeira, Guerra apresenta o alicerce histórico da introdução da viola no Brasil pelos colonizadores e narra sua transição de instrumento de centros urbanos para o mundo rural em meio às transformações socioeconômicas.

William Mur “Quando as violas chegaram aqui com os navegadores e jesuítas, elas não eram padronizadas pela fabri­cação industrial.

Essa variabilidade continuou existindo no Brasil.

Como o instrumento seguiu o caminho da colonização, a viola de cada região tem uma forma específica de fabricação, afinação e repertório.

Era comum o próprio violeiro construir seu instru­mento artesanalmente”, diz Guerra.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.

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