Do pacto global à minifloresta comunitária
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
No CEU (Centro Educacional Unificado) na unidade de Paraisópolis , na periferia de São Paulo, gestoras e gestores públicos de várias cidades brasileiras se reuniram nesta semana para plantar mudas de ipê, pitanga e embaúba. Plantar tem algo de ritual, e ali era também técnica: uma aula prática de como diminuir a temperatura nas cidades.
A visita fazia parte da São Paulo Climate Week e do Mutirão Global contra o Calor Extremo, o Beat the Heat , iniciativa do Pnuma (Programa da ONU para o Meio Ambiente) e da presidência da COP30 , que já reúne quase 300 cidades no mundo, mais de 130 delas no Brasil.
Havia ali secretários e técnicos de prefeituras de São Paulo, Acre , Pará , Minas Gerais e Rio de Janeiro , ao lado de pesquisadores, redes internacionais de cidades e de outras organizações sem fins lucrativos. A lógica é o aprendizado entre pares: aproximar quem precisa agir de quem já está agindo.
"O futuro será significativamente mais quente, e os impactos do calor extremo já estão sendo sentidos em todo o mundo. O desafio agora é transformar esse conhecimento em ação. Esse é o compromisso que orienta o Beat the Heat", afirmou Vitor Leal Pinheiro, gerente de políticas climáticas do Pnuma no Brasil.
O calor extremo é global nas causas e brutalmente local nos efeitos. Ele é negociado em conferências e pactos, mas é sentido numa rua sem árvore , num ponto de ônibus sem cobertura ou pátio escolar de concreto.
Compromissos internacionais só se cumprem quando alcançam esses lugares. E soluções comunitárias só crescem quando encontram conhecimento, verba e as redes que esses acordos mobilizam.
As miniflorestas urbanas são um bom terreno para esse encontro. Não substituem a arborização tradicional, complementam. Onde há espaço, um plantio bem adensado de árvores forma sombra em poucos anos. É o que permite levar floresta para dentro de escolas e outros espaços públicos, bairros sem árvores.
O efeito dessa estratégia começa a ser medido aqui em São Paulo. Em 2026, a pesquisadora Vivian Madi e a professora Denise Duarte, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da USP, mantiveram equipamentos dentro e fora de uma minifloresta em um centro educacional da capital.
O resultado: dentro da minifloresta, a Temperatura Fisiológica Equivalente, ou Pet, na sigla em inglês, foi, em média, 4,8°C menor. O índice combina temperatura do ar, umidade, vento e radiação para estimar o impacto das condições ambientais sobre o conforto térmico do corpo humano. É uma diferença enorme.
Se o enfrentamento do calor extremo exige um mutirão global, uma minifloresta nasce de um mutirão local. Antes do plantio, vêm a escolha da área, a preparação do solo e um processo de educação ambiental e construção coletiva com a comunidade.
O plantio é um mutirão de aprendizado, celebração e trabalho compartilhado que transforma esse percurso em floresta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.