Fadiga do eleitor abre espaço para candidatos ‘antissistema’, diz professor da FGV
A insatisfação com a política tradicional pode estar abrindo espaço para uma nova geração de candidatos de perfil controverso e classificados como “antissistema”.
No programa Ponto de Vista , de VEJA, o cientista político e professor da FGV Marco Antonio Teixeira afirmou que a profusão de nomes polêmicos na disputa eleitoral pode provocar fadiga, mas também é consequência de um eleitor que já está “fadigado” dos candidatos tradicionais. (Este texto é um trecho do vídeo acima) A avaliação surgiu após Teixeira ser questionado sobre candidaturas como as de Pablo Marçal (PRTB), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), conhecidos por propostas e comportamentos controversos entre os nomes que se colocam na disputa.
Para Teixeira, o fenômeno não pode ser analisado apenas como uma possível fonte de cansaço para o eleitor.
“Pode até causar uma certa fadiga”, afirmou.
Na sequência, porém, o professor destacou que “o eleitor está fadigado também” em relação aos candidatos mais tradicionais.
Segundo ele, esses novos nomes acabam ocupando uma lacuna provocada pelo “descrédito da política”.
Continua após a publicidade É nesse contexto, explicou Teixeira, que candidatos com esse perfil passam a ser chamados de “antissistema”.
P ara o professor, eles se beneficiam justamente do espaço deixado pela perda de confiança na política convencional.
Continua após a publicidade Ao comentar especificamente o caso de Pablo Marçal — acusado de envolvimento em um calote de venda de lotes em Goiás –, Teixeira destacou o caráter polêmico de sua trajetória política.
O professor citou episódios envolvendo o candidato, entre eles o resgate de um grupo pelo Corpo de Bombeiros após uma subida à Serra da Mantiqueira, além de denúncias relacionadas a negócios.
Teixeira também chamou atenção para um fenômeno que considera característico desse tipo de candidatura: a presença de “influencers” que misturam a atividade política com os próprios negócios.
Segundo ele, esse perfil faz com que o candidato esteja constantemente submetido à cobrança por algum tipo de postura.
Continua após a publicidade O professor também lembrou a campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo, em 2024, e as reações provocadas por sua atuação durante a eleição municipal.
Entre os episódios mencionados por Teixeira estão a agressão de José Luiz Datena contra Marçal e os embates públicos com Ricardo Nunes (MDB), muitas vezes marcados, segundo ele, por discussões aos gritos.
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