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Queria ter prazer ao ver Trump humilhado pela realidade, mas não consigo

UOL Notícias ·
Queria ter prazer ao ver Trump humilhado pela realidade, mas não consigo

Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades

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Se eu estivesse escrevendo um livro sobre a guerra dos Estados Unidos contra o Irã , saberia exatamente qual seria o título. Seria a publicação do presidente Donald Trump nas redes sociais em 5 de abril de 2026, dirigida aos líderes iranianos: "Abram a porra do estreito, seus loucos desgraçados, ou vocês vão viver no Inferno —ESPEREM SÓ PARA VER!"

As guerras são um cadinho que, com muita frequência, expõe mudanças na física do mundo ao nosso redor —quem tem poder, quem não tem e como esse poder está sendo exercido. Nada resume melhor a nova equação de poder produzida por esta guerra do que o discurso descontrolado e obsceno de Trump contra a liderança iraniana por não se curvar às suas bombas.

Essa nova física da guerra está igualmente presente nos conflitos entre Ucrânia e Rússia , Hezbollah e Israel , Hamas e Tel Aviv , e os houthis e todo o resto. Minha síntese dessa nova dinâmica é que os pequenos agora conseguem ter um impacto gigantesco e a um custo muito baixo.

E, embora os grandes também possam agir com enorme precisão, fazer isso sai muito mais caro para eles, ao mesmo tempo que arcam com o peso de vastos sistemas de armamentos herdados do passado.

A vantagem líquida, por enquanto, parece estar com os pequenos. Isso deveria tirar seu sono quando se pensa em como a revolução emergente da inteligência artificial certamente potencializará essa tendência, permitindo que os pequenos ajam de forma ainda mais grandiosa e poderosa, a um custo ainda menor.

Não surpreende que Trump esteja frustrado. Afinal, em 11 de março, menos de duas semanas depois de ele e Israel iniciarem esta nova rodada de guerra contra o Irã com uma campanha de bombardeios em larga escala, Trump disse: "Nós vencemos. Deixem-me dizer: nós vencemos. Sabe, nunca é bom dizer cedo demais que você venceu. Nós vencemos. Na primeira hora, já tinha acabado. Mas nós vencemos."

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Trump não percebeu que Teerã também tem voz na decisão de quando esta guerra estará ganha ou perdida.

Mais importante: ao contrário de Trump, Teerã tinha um plano B para o dia seguinte —usar sua recém-adquirida capacidade de agir em grande escala, com precisão e a baixo custo para assumir o controle do estreito de Hormuz , embora suas Forças Armadas fossem apenas uma pequena fração do tamanho das americanas e tivessem sido duramente castigadas.

Eu gostaria de conseguir sentir prazer ao ver nosso presidente pomposo, narcisista e sempre dado a bravatas ser humilhado pela realidade. Mas, sinceramente, não consigo —porque a situação está ficando assustadora. E vai piorar. Os iranianos infligiram danos reais aos EUA — no campo de batalha e em nossa economia —, cuja dimensão Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth , vêm ocultando.

O Irã está sujeito a sanções econômicas, de forma intermitente, desde 1979.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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