Governo federal não cumpre medidas básicas de cibersegurança e mantém “alto risco”
Nenhuma das 239 organizações federais com avaliações completas conseguiu implementar integralmente o conjunto básico de medidas de cibersegurança recomendado internacionalmente.
O diagnóstico consta do Acórdão 2.829/2026, aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nessa quarta-feira (14).
O Tribunal manteve o alerta de “alto risco” para a segurança digital do governo federal.
O conjunto não cumprido integralmente por nenhuma das organizações avaliadas é o chamado IG1, sigla para Implementation Group 1, ou Grupo de Implementação 1, dos CIS Critical Security Controls, padrão internacional elaborado pelo Center for Internet Security (CIS).
O IG1 reúne 56 medidas consideradas fundamentais para proteção contra os ataques mais frequentes e recebe do próprio CIS a denominação de “higiene cibernética essencial”.
Não se trata de exigência voltada a sistemas militares ou infraestruturas de alta complexidade; é o nível inicial de defesa.
O monitoramento foi divulgado no mesmo momento em que o governo federal ainda não concluiu o debate sobre a criação de uma autoridade nacional especializada em cibersegurança, após desistir da proposta original de constituir a Agência Nacional de Cibersegurança (ANCiber).
Leia também: China propõe controle de 23 tecnologias de IA para exportação Progresso registrado, mas insuficiente O TCU reconhece que houve evolução desde a auditoria anterior, realizada em 2024.
Na ocasião, apenas duas organizações tinham mais de 90% das 56 medidas implementadas e 14 superavam a marca de 70%.
No ciclo atual, 12 ultrapassaram a faixa de 90% e 44 passaram de 70%.
O avanço, porém, não foi considerado suficiente para dar a recomendação feita em 2024 como atendida.
Para o Tribunal, o objetivo não é ampliar a quantidade de controles implantados, mas reduzir a exposição a ataques até um nível compatível com a continuidade dos serviços e das políticas públicas.
Esse nível ainda não foi alcançado.
Os percentuais setoriais ilustram onde estão os maiores déficits.
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