Morte de mãe e bebê após parto no Rio: obstetra analisa o que pode ter ocorrido
Após familiares de Jéssica Gonçalves, de 28 anos, denunciarem negligência no atendimento antes da morte dela , iniciou-se um debate sobre quais erros médicos poderiam ter ocorrido .
Segundo a ginecologista e obstetra Claudiane Garcia de Arruda , ainda não é possível afirmar, tecnicamente, que houve negligência sem analisar o prontuário , os sinais vitais, os exames, o relatório cirúrgico e a necrópsia.
Para Claudiane, o que precisa ser investigado neste momento é se a dor intensa e o inchaço abdominal foram adequadamente valorizados pela equipe médica.
“Atribuir uma dor persistente apenas a gases, sem excluir hemorragia, infecção ou outra complicação abdominal, poderia representar uma possível falha assistencial ”, diz a obstetra.
Leia Mais Mulher e bebê morrem após parto no Rio; família denuncia negligência Justiça torna médicos réus por morte de gestante e bebê no interior de SP Mulher morre após gravar vídeo sobre falta de atendimento em UPA de MG A médica explica que, no pós-parto, podem ocorrer cólicas provocadas pela contração do útero , além de gases e constipação .
Porém, uma dor forte, persistente ou progressiva, acompanhada de distensão abdominal, exige que o médico realize exames para verificar se há ou não um sangramento interno .
Entenda como identificar sinais de depressão pós-parto | CNN SINAIS VITAIS “Também devem ser consideradas outras possibilidades, como trauma do canal de parto, mais raramente ruptura uterina, restos placentários, inflamação do endométrio, que é a camada mais interna do útero, caracterizando uma endometrite, infecção puerperal com possível evolução para sepse, além de lesões urinárias ou intestinais, obstrução ou outras causas de abdômen agudo”, explica.
Sinais de alerta Ainda segundo a ginecologista Claudiane , neste caso analisado, os principais sinais de alerta são a dor abdominal forte iniciada poucas horas após o parto, a persistência da dor, o inchaço abdominal e a alta hospitalar, apesar da queixa relatada pela família .
A médica diz que também chama a atenção o retorno ao hospital no mesmo dia e a rápida deterioração do quadro , com necessidade de intubação, cirurgia e internação em terapia intensiva.
Entenda o caso Jéssica deu entrada na unidade no dia 8 de setembro e passou por um parto normal.
Segundo a família, após o nascimento da filha ela começou a sentir fortes dores abdominais.
A equipe hospitalar alegou que os sintomas eram provocados por gases.
À CNN Brasil , a sogra de Jéssica, Andréia Cristina, afirmou que o prontuário registra complicações desde o dia seguinte ao parto, como hemorragia, vertigem e tontura.
Jéssica recebeu alta 48 horas após o nascimento de Jade, mas precisou retornar à maternidade no mesmo dia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.