'Túmulo dos Vagalumes' volta aos cinemas com retrato sensível da guerra
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Muitos entusiastas do celebrado Studio Ghibli vão comemorar a reestreia, promovida pela rede Cinemark, de "Túmulo dos Vagalumes", de 1988 , um dos clássicos da animação japonesa.
É o primeiro filme de Isao Takahata pela recém-criada companhia sediada na região metropolitana de Tóquio. Pode-se dizer que realizou uma das pérolas que justificam a fama do estúdio.
Nos anos 1980, o cinema japonês estava num momento crítico. Os mestres que começaram no mudo — Kenji Mizoguchi , Yasujiro Ozu e Mikio Naruse , principalmente— já não existiam mais. Akira Kurosawa e outros modernos estavam com dificuldades de filmar, tendo de buscar recursos no exterior.
Novos talentos surgiam, como Kiyoshi Kurosawa , Takeshi Kitano e o bissexto Kohei Oguri , mas em número insuficiente para compensar as perdas.
Havia ainda algumas obras-primas dos veteranos da chamada "nuberu bagu", o cinema moderno japonês: "Zigeunerweisen", de 1980, e "Kogaro-za", de 1981, de Seijun Suzuki ; "A Balada de Narayama", de 1983, de Shohei Imamura ; ou "Rio dos Vagalumes", de 1987, de Eizo Sugawa . Nas décadas anteriores, contudo, o número de grandes filmes como esses era muito maior, fazendo do cinema japonês um dos mais fortes do mundo.
Nesse contexto desfavorável, o cinema de animação, que já era forte, se fortaleceu ainda mais com a criação do Studio Ghibli , em 1985. Teve o turbulento "Akira", de 1988, de Katsuhiro Otomo , sucesso também no Brasil. Mas nada se compara, em qualidade, aos filmes de Hayao Miyazaki , um dos fundadores da companhia e o mais prolífico de seus diretores.
O primeiro filme do estúdio foi lançado em 1986, "O Castelo no Céu", justamente de Miyazaki. Dois anos depois, o diretor lançou "Meu Vizinho Totoro" no mesmo dia em que chegou ao público "Túmulo dos Vagalumes".
Miyazaki, Takahata e o outro fundador, o produtor Toshio Suzuki , começaram nos anos 1960 e já haviam trabalhado juntos anteriormente.
A trama de "Túmulo dos Vagalumes" é triste como alguns melodramas de Mizoguchi. O adolescente Seita e a pequena e graciosa Setsuko se tornam órfãos após a mãe morrer por causa de um bombardeio na cidade onde moram. Estamos nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial , num país já devastado por outros bombardeios.
O filme mostra, ao mesmo tempo, a estupidez da guerra e a estupidez das pessoas em tempos de guerra. Falta humanidade aos que estão próximos dos órfãos, até mesmo à tia, que faz questão de deixar claro que eles, morando com ela, são um estorvo.
Por isso a sobrevivência deles se torna cada vez mais difícil. A habitação que improvisam é um abrigo antibombas perto de um rio. Eles dormem vendo o voo dos vagalumes, pequenas luzes que os livram da escuridão da noite. O banheiro é o mato e a comida é roubada ou trocada pelos quimonos da mãe.
Com o tempo, a alimentação se torna cada vez mais escassa e os problemas de saúde os atingem. A crueldade da guerra faz com que as pessoas se anestesiem e não se importem tanto com o sofrimento das crianças.
Algumas cenas são tão tocantes que é praticamente impossível conter o choro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.