O novo normal: o pior legado da pandemia foi o rebaixamento do debate público
Mais uma vez, a recusa em enfrentar questões políticas difíceis coloca a credibilidade da esquerda em xeque e deixa para a extrema direita, de bandeja, outro prato cheio que seguirá alimentando as bases sociais deste novo “fascismo” que, aparentemente, ressurge em toda parte no início do século XXI.
O tema das origens da Covid-19, que tanta discussão gerou, parece agora desimportante para o campo político progressista, mesmo quando novas informações publicadas pela Direção de Segurança Nacional (DNI, em inglês) estadunidense revelam que a verdade foi propositalmente manipulada desde o início da pandemia, fazendo-nos crer que a hipótese de ingestão de carne de morcego num mercado de Wuhan, China, seria a única a ser levada a sério pelos representantes da ciência, da civilização e dos bons costumes.
Pois bem, agora sabemos que não foi bem assim. Em fins de junho, no seu último dia no cargo de DNI, Tulsi Gabbard expôs as informações que as agências de inteligência dos Estados Unidos da América (EUA) possuem sobre o assunto. A principal delas é que a hipótese de um vazamento num laboratório em Wuhan é tão, ou mais, plausível quanto a história orientalista da tal carne de morcego ingerida por pobres asiáticos e seus costumes exóticos.
Mais ainda, foi revelado que o principal encarregado de combater a pandemia nos EUA, o Dr. Anthony Fauci, mantinha relações com membros das agências de espionagem yankees (o que ele havia negado sob juramento) e, pior, que ele pressionou um autor da revista Lancet a descartar qualquer outra teoria que não fosse a dos morcegos (o que o autor se negou a fazer). Mas o artigo, escrito a várias mãos, foi usado como “evidência” pública de que apenas uma narrativa era cientificamente possível. Agora sabemos que isso não era verdade. Pior, também sabemos que o próprio Dr. Fauci estava envolvido em pesquisas sigilosas com diversas cepas de coronavírus em laboratórios biológicos ( biolabs , em inglês) financiados pelos EUA mundo afora. Um deles justo em Wuhan. [1]
A polêmica em torno dos biolabs tornou-se uma das mais intensas durante a pandemia no debate político estadunidense. Automaticamente associou-se a teoria dos morcegos ao progressismo democrata, ao passo que qualquer menção aos biolabs foi tida como mais uma fake news trumpista. Desde então, não se trata mais de descobrir a verdade, mas de marcar posição contra o campo oposto. No Brasil, tal importação de “idéias fora do lugar” foi ainda mais canhestra do que Roberto Scharwcz poderia imaginar. [2] Nem sequer copiamos a nova etapa da polêmica; preferimos fingir que nada aconteceu.
Na semana retrasada, o Dr. Fauci foi convocado a depor novamente no Congresso e recusou-se a responder por mais de 100 vezes às perguntas dos senadores sobre as alegações de Tulsi Gabbard.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.