O papel de Alcolumbre na mensuração do risco de impeachment de Alexandre de Moraes
Enquanto trabalhava para reeleger o governador do Amapá Clécio Luís (União Brasil) e o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) para novos mandatos, longe dos holofotes o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) havia sido incumbido de uma missão estratégica: mapear para o Supremo Tribunal Federal (STF) as eleições de candidatos de direita para o Senado.
O motivo é conhecido.
Alcolumbre mantém relação próxima com o ministro Alexandre de Moraes e com outros magistrados que, a depender do resultado que saísse das urnas, poderiam considerar ter a cabeça a prêmio.
Experiente, ele havia repassado retratos bem mais benevolentes aos ministros e não previu a avalanche de direita que tomou conta do Congresso.
Instado a atuar como termômetro para detectar o risco de as urnas elegerem em bloco parlamentares comprometidos com processos de impeachment contra alvos do STF , o político acabou virando tema de conversas – e críticas – reservadas entre os magistrados depois da confirmação de que a bancada pró-impeachment a partir de 2027 terá 49 senadores.
O patamar representa apenas cinco apoios a menos do que o piso necessário para impor a deposição de um togado do STF e coloca em risco a própria reeleição do senador, que tentará se manter na Presidência da Casa em fevereiro.
Contra até mesmo as mais otimistas projeções do próprio PL, que surfou na onda de impopularidade do Judiciário e estimava controlar um quarto do Senado a partir de 2027, o partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro elegeu 19 senadores, entre eles Bia Kicis (DF), Filipe Barros (PR), Carlos Jordy (RJ) e Gustavo Gayer (GO), bolsonaristas de proa que fizeram da possibilidade de degola dos magistrados o principal tema de campanha.
Com os nove senadores que já tinha, o PL chegou a 28 parlamentares, ou 34% do Senado.
Junto com agremiações como o direitista Novo, políticos em meio de mandato e parlamentares de outras siglas notoriamente favoráveis a colocar um freio de contenção no STF, a bancada pró-impeachment equivale a mais de 60% da composição da Casa.
A má notícia, claro, deflagrou uma operação de guerra no tribunal, que acionou aliados, dividiu tarefas e, fazendo as vezes da máxima de que ‘uma mão lava a outra’, fez chegar à classe política a lembrança de que, no passado recente, políticos encrencados tiveram decisões favoráveis da Corte.
Continua após a publicidade Em tempo: apadrinhados de Alcolumbre, Randolfe Rodrigues e Clécio Luís não conseguiram se reeleger.
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