Expectativa de Jair Bolsonaro subir a rampa depende menos de Flávio e mais do STF
Insuflado pelo bom desempenho que obteve no primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro anunciou que, se eleito presidente da República, estaria acompanhado do pai Jair Bolsonaro ao subir a rampa do Palácio do Planalto.
O discurso político, aliado à conhecida intenção do Zero Um de anistiar o chefe do clã, contrasta com procedimentos legais que dependem do Supremo Tribunal Federal (STF) para um dia saírem do papel.
São dois os momentos em que o STF poderia, em tese, agir para permitir que o antigo mandatário, condenado a 27 anos de cadeia por liderar uma tentativa de golpe de Estado, acompanhasse in loco a posse do filho.
A primeiro precisaria contar com uma decisão favorável do Supremo no pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente.
O caso tem como relator o ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao cargo pelo próprio Bolsonaro e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ).
Em entrevista às Páginas Amarelas , Nunes Marques negou que haja prazo, data ou intenção de proferir qualquer decisão no meio do processo eleitoral.
A revisão criminal é um tipo de recursos utilizado em casos de condenações já definitivas, mas que se apresentam supostas provas capazes de desfazer a condenação ou confirmar um erro judicial.
Com baixo índice de sucesso, elas embutem a tese de que o STF tem de reconhecer que errou ao condenar Bolsonaro e integrantes do antigo governo por golpe.
“Não pretendo apreciar nem o mérito e nem o pedido liminar antes da eleição.
Eventualmente analisar depois do segundo turno não quer dizer no dia imediato nem no mês imediato.
Não há prazo, não há data”, afirmou o ministro.
“O que quero deixar claro é esse descolamento do processo eleitoral.
Não sei quando isso será apreciado porque, por exemplo, o julgamento do plenário físico depende de controle do presidente do tribunal, e não do relator.
Muito provavelmente a questão da dosimetria também vai ser trazida a debate, não só na revisão do Bolsonaro.
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