Quantos votos a abstenção pode ter tirado de Lula no primeiro turno
Em busca de uma virada sobre Flávio Bolsonaro, que venceu o primeiro turno das eleições presidenciais por uma diferença de 1,8 ponto percentual, o presidente Lula definiu como uma de suas prioridades reduzir a abstenção, que foi de 21,08% no domingo 4, a maior desde 1998.
Cerca de 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar.
Ainda não se sabe em quais grupos a abstenção foi maior, mas na eleição de 2022 ela predominou, por exemplo, entre pessoas de baixa renda e baixa escolaridade, segmentos nos quais o presidente é mais popular do que o rival.
No Nordeste, região que deu a Lula 11,1 milhões de votos a mais do que a Flávio Bolsonaro , a ausência foi menor do que a média nacional.
Mesmo assim, 2,26 milhões de pessoas se ausentaram só na Bahia.
Já no Sudeste, onde o oposicionista abriu uma vantagem de 5,7 milhões de votos, a abstenção foi maior do que a média.
Um dos mais conceituados especialistas do país em comportamento eleitoral, o cientista político Antonio Lavareda estima que Lula perdeu pelo menos cinco pontos percentuais — ou oito milhões de votos — para a abstenção.
Ele explica que o desânimo da população com a política, uma tônica da atual campanha, se reflete de maneira distinta nas classes sociais.
Continua após a publicidade A classe média, que abraçou a candidatura de Flávio Bolsonaro, manteria o padrão tradicional de presença nas urnas mesmo com o sentimento de desalento.
Já os mais pobres não teriam disposição semelhante.
“Esse povo, quando é ouvido pela pesquisa, diz: ‘voto no Lula’, mas quando chega ao dia da eleição esse voto desaparece”.
Continua após a publicidade Para Lavareda, a vitória esmagadora da direita na disputa para o Congresso não se repetiu na corrida presidencial, marcada pelo equilíbrio.
Ele diz que a virada de Lula é difícil, mas pode ocorrer caso o presidente tenha sucesso em algumas missões.
Uma delas é abocanhar parte do eleitorado dos candidatos a presidente que fracassaram no primeiro turno, um contingente de nove milhões de pessoas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.