Sánchez atribui a Rússia e Israel crise migratória em Ceuta
Premiê espanhol aponta desinformação estrangeira por trás da onda de travessias que deixou dezenas de mortos no território
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez , declarou nesta segunda-feira, 31, que serviços de inteligência europeus identificaram indícios de participação russa e israelense na disseminação de informações falsas que impulsionaram a chegada maciça de imigrantes a Ceuta em julho.
A onda migratória , uma das maiores já registradas na fronteira terrestre entre a União Europeia e a África, resultou em pelo menos 100 mortes, segundo dados das autoridades locais.
De acordo com Sánchez, uma apuração conduzida pelo Serviço Europeu para a Ação Externa concluiu que redes ligadas à Rússia e a Israel , em articulação com grupos de extrema direita, propagaram conteúdos enganosos que teriam motivado a travessia em massa.
Segundo o premiê , essas organizações “sempre usam a migração para atacar tanto a Espanha quanto a Europa e dividi-las” .
Publicações nas redes sociais sugeriam falsamente que imigrantes que chegassem por mar a Ceuta poderiam permanecer legalmente na Espanha , o que teria levado milhares de pessoas a arriscar a travessia a nado, segundo relatos das autoridades espanholas citados na reportagem.
O chefe de governo espanhol também afirmou considerar que os dois países buscavam pressionar Madri em razão de divergências relacionadas às posições espanholas sobre os conflitos na Ucrânia e em Gaza . Ele, no entanto, não apresentou detalhes adicionais sobre as provas que sustentam essa avaliação.
Quanto ao Marrocos, Sánchez disse que, “quando as pessoas falam e especulam sobre a participação das autoridades marroquinas, eu rejeito isso categoricamente ”.
Ele defendeu ainda que a resolução da crise depende de cooperação bilateral , e não de desconfiança em relação a Rabat, que sempre negou ter facilitado ou incentivado a movimentação migratória.
As acusações espanholas provocaram reação imediata dos governos apontados.
O chanceler israelense, Gideon Sa’ar , classificou a declaração de Sánchez como uma “mentira descarada” , sugerindo que o objetivo seria desviar a atenção de dificuldades internas da política espanhola.
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov , negou qualquer envolvimento russo no episódio.
O episódio, ocorrido entre os dias 30 e 31 de julho, provocou reações em cadeia dentro do bloco europeu, colocando em xeque um dos pilares da livre circulação garantida pelo espaço Schengen. A Itália, sob comando de Giorgia Meloni , chegou a restabelecer controles temporários na fronteira com a Espanha, medida respondida com reciprocidade por Madri.
Nesta segunda-feira, os dois países confirmaram a extensão desses controles por mais 15 dias. Ainda que a maior parte dos migrantes tenha retornado ao território marroquino horas após a travessia, cerca de 5 mil pessoas permanecem em Ceuta , muitas em condições precárias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.