Entre a manteiga e o preconceito: o pão merece um julgamento mais justo, diz nutróloga
Poucos alimentos carregam tanta fama negativa quanto o pãozinho de todo dia.
Ele já foi acusado de engordar, inflamar, inchar e sabotar dietas.
Entre uma tendência e outra, o pão vai sendo cortado do café da manhã, trocado por versões “fit” ou tratado como uma escorregada que exige compensação no resto do dia.
Mas, para a nutróloga Fabiana Roloff, docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, a pergunta está mal formulada.
“O pão não é o vilão da história.
Quando a gente escolhe um único alimento para culpar, deixa de olhar para o que realmente importa: o conjunto da alimentação, a rotina e o modo como a pessoa se relaciona com a comida”, afirma a professora Fabiana.
A data não poderia ser mais apropriada para a conversa.
O Dia Mundial da Alimentação, lembrado em 16 de outubro, foi instituído pela FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura, e costuma ser um convite a refletir não só sobre acesso a alimentos, mas sobre a qualidade do que chega ao prato.
Os carboidratos, por exemplo, são a principal fonte de energia do organismo e o combustível preferencial do cérebro.
Estão presentes em frutas, grãos, raízes, tubérculos e leguminosas, além, claro, do pão.
Ainda assim, nas últimas décadas, o nutriente virou sinônimo de problema em dietas da moda.
“Cortar carboidrato por completo raramente é a solução.
O que muda o resultado é a qualidade da fonte e a quantidade que cabe na rotina de cada pessoa, considerando idade, nível de atividade física, condições de saúde e objetivos”, explica a nutróloga.
Segundo ela, tratar o nutriente como bloco único é o primeiro erro.
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