Imprensa europeia destaca interferência das big techs a favor de Flávio Bolsonaro
As denúncias de que gigantes da tecnologia estariam interferindo nas eleições presidenciais brasileiras para favorecer Flávio Bolsonaro (PL) ganharam destaque na imprensa europeia.
Em extensa reportagem publicada nesta terça-feira (20), o jornal espanhol El Salto expôs suspeitas de censura, manipulação de algoritmos e uso de inteligência artificial contra a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O assunto também repercutiu no britânico The Guardian , nesta quarta-feira (21), às vésperas do segundo turno.
Sob o título “Censura e manipulação algorítmica: assim as big techs estão intervindo a favor de Flávio Bolsonaro” , o jornalista Bernardo Gutiérrez, do El Salto, reúne denúncias de organizações brasileiras, investigações jornalísticas e depoimentos de especialistas sobre a atuação da Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, e de outras empresas que dominam o ambiente digital.
A reportagem espanhola descreve um cenário de perfis de esquerda suspensos, publicações removidas, vídeos favoráveis a Lula com quedas inesperadas de alcance e ferramentas de inteligência artificial que apresentam comportamentos distintos conforme o candidato mencionado .
A Meta nega favorecimento político e atribui os problemas identificados a falhas técnicas.
Mais de mil perfis atingidos e suspeitas sobre algoritmos Um dos principais destaques do El Salto é o levantamento da organização brasileira CTRL+Z, que denunciou a censura de 1.088 perfis de apoio a Lula nas plataformas da Meta.
Segundo a entidade, as restrições atingiram inclusive o perfil oficial do presidente, que apresentou métricas consideradas anormais, como um vídeo com 783 mil curtidas, mas apenas 679 mil visualizações.
O jornal espanhol também repercute informações da Folha de S.Paulo , que teve acesso a mensagens internas de funcionários da Meta.
Segundo o material, integrantes da empresa reconheceram restrições às contas de Lula e a existência de recomendações algorítmicas favoráveis à campanha de Flávio Bolsonaro.
Ao El Salto , Daniela da Silva, diretora executiva da CTRL+Z e ex-diretora do WhatsApp no Brasil, classificou como insatisfatórias as explicações apresentadas pela empresa.
Para ela, os episódios demonstram como o poder econômico e político acumulado pelas plataformas digitais as transforma em agentes decisivos do debate público.
As denúncias também envolvem a deputada Erika Hilton, cujo canal “Tropa da Erica com Lula” teria desaparecido das buscas do WhatsApp, além de dificuldades relatadas por usuários com hashtags favoráveis ao presidente no Instagram.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.