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Economia

Quais os limites para a oferta de crédito?

Valor Investe ·
Quais os limites para a oferta de crédito?

O endividamento do brasileiro virou um tema central das eleições presidenciais.

Quase 82% das famílias têm algum tipo de dívida, diz a CNC, e mais de 80 milhões de brasileiros estão inadimplentes com pelo menos uma dessas dívidas, segundo o Serasa.

Parte da explicação tem relação com os juros altos da nossa economia, sejam os juros básicos, hoje em 13,75%, ou as taxas cobradas na ponta, que rondam 61% ao ano na média para pessoas físicas, conforme dados do Banco Central.

Mas o Brasil já teve juros mais altos que esses no passado sem uma inadimplência tão grande.

O que força uma reflexão sobre como chegamos a esse ponto.

Lembro que uma das primeiras reportagens que escrevi, lá no início do século, foi sobre a Rua São Bento, em São Paulo.

Eu cobria com frequência uma pesquisa da Anefac sobre taxas de juros ao consumidor e me intrigava ver como as “financeiras” conseguiam manter seus negócios cobrando mais de 13% ou 14% de juros ao mês, quando os bancos ofereceriam empréstimos com taxas muito menores.

Como eu havia trabalhado por um ano em um grande banco de varejo, numa região popular da capital paulista, eu sabia que não era tão difícil um cliente conseguir um crédito pessoal — claro que sempre levando junto um título de capitalização ou um seguro —, ainda que de valores módicos, de R$ 200 ou R$ 300.

Num cenário hipotético (e irreal) de mercado eficiente, a troco de que alguém aceitaria pagar tão mais caro para tomar dinheiro emprestado? Há mais de 20 anos, a São Bento, tradicional rua do centro de São Paulo, era famosa por reunir dezenas de “financeiras” oferecendo crédito fácil — e caro — para quem passasse por ali.

Marcas que não existem mais, como Fininvest e Losango, chegavam a ter duas ou três “lojas” no mesmo endereço, a poucos metros de distância, para disputar a farta clientela que precisava de dinheiro para pagar as contas do mês.

O termo “loja” não é ocasional.

Ele traz consigo uma das explicações para o sucesso do modelo de negócios daquelas empresas.

Se para entrar em uma agência bancária o correntista precisava vencer a porta giratória e o funcionário cão de guarda que ficava de prontidão tentando ao máximo limitar o número de clientes que realmente precisavam de atendimento humano (em vez de se auto-atender no caixa eletrônico), nas financeiras se entrava como numa loja, sem nenhum constrangimento.

Mais do que isso, essas lojas contavam com diversos promotores que ficavam na rua abordando ostensivamente os pedestres para oferecer crédito a juros absurdos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.

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