Sanitarista Gonzalo Vecina analisa a estupidez trumpista de restringir a vacinação das crianças americanas
De todas as burrices e desumanidades cometidas por Donald Trump, certamente os atos contra vacinas são as mais horripilantes, talvez ainda mais que a promoção de guerras, a invasão de países e as tarifações comerciais.
O mandatário imperial acaba de assinar uma ordem executiva que pretende reduzir o número de vacinas para crianças americanas e dividir em doses individuais a imunização com a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
O negacionista que habita a Casa Branca acredita na relação da vacina com o desenvolvimento de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e em outras bobagens, as quais são compartilhadas por bolsonaristas no Brasil.
Há dois tipos de pessoas contrárias às vacinas, como explica à coluna o médico sanitarista Gonçalo Vecina, professor da USP, fundador e primeiro presidente da Anvisa.
O primeiro tipo é o seguidor da homeopatia hahnemanniana, criada pelo alemão Samuel Hahnemann em 1796.
Esses negacionistas recomendam que as crianças não se vacinem pois a melhor maneira de despertar o sistema imunológico nelas, acreditam, seria por meio da doença.
“Isso significa submeter um grande número de crianças, as quais podem ter comorbidades, ao risco morrer de uma doença evitável, como é o caso do sarampo, da rubéola, da caxumba – enfim, todas as 19 doenças que temos hoje sob proteção de vacinas.
É um risco grande e absolutamente desnecessário para as crianças, as quais têm direito a viver”, adverte Vecina.
Vale registrar que Alemanha, França, Austrália, Espanha e Reino Unido baniram a homeopatia hahnemanniana dos seus sistemas públicos de saúde.
O segundo tipo de negacionista vacinal é justamente aquele que crê na relação de vacinas com o desenvolvimento de TDAH.
Nesse grupo se enquadram Donald Trump e seu secretário de Saúde, Robert Kennedy Jr.
“Essa crença é ainda mais grave que a ideia dos hahnemannianos.
É fruto de uma quantidade de ignorância muito maior, porque está absolutamente comprovado que nenhuma vacina gera TDAH”, observa um estarrecido Gonzalo Vecina.
“A única coisa positiva nessa postura é que ela que tem prazo.
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