Palmeiras não podia segurar Allan
O Palmeiras acertou a venda de Allan para o Manchester City em uma negociação que pode chegar a 40 milhões de euros. Duzentos e quarenta milhões de reais. Um quarto de bilhão de dinheiros.
Uma proposta irrecusável no cenário do futebol brasileiro, mesmo para um clube organizado financeiramente. Mas nem é por isso que o Alviverde não tinha opção senão vender seu meia-atacante titular.
Aos 22 anos, Allan recebeu a oportunidade dos sonhos de qualquer jogador de futebol: ganhar uma bolada inimaginável e atuar em um dos melhores times do mundo, que ele provavelmente passou a adolescência vendo na TV e no videogame, com chances reais de disputar os maiores títulos do planeta. Não é algo que se tire da cabeça do adulto mais maduro, que dirá de um jovem de 22 anos.
Imagine alguém chegar para você, nos seus 20 anos, e dizer: sabe aquela proposta de emprego da vida? Espera até o ano que vem. Segura mais um pouco aqui na firma, para você amadurecer. Ah, claro. Você entenderia a importância deste crescimento e seguiria trabalhando feliz como nunca.
Especialmente na carreira de atletas de alto rendimento, um ano pode significar muita coisa. Taças, glórias, ainda mais dinheiro. Ou fracassos, ligamentos rompidos, declínio. Não há garantia de uma boa temporada, nem de uma temporada saudável.
Clubes como o Palmeiras não precisam vender o almoço para pagar a janta e podem cuidar da base com calma, sem sacrificar as crias para fechar as contas do mês. Mas uma vez que elas chegam ao profissional, brilham e recebem a atenção pela qual lutaram desde criança? bom, aí é como filho: precisa soltar no mundo. Sob o risco de segurar em casa um garoto que não queria estar ali. Um corpo desprovido de alma, assistindo aos jogos da Premier League e da Champions, ressentido com quem se colocou no caminho do seu sonho — e da sua família.
Adoraria dizer que precisamos segurar nossos craques por mais tempo. Adoraria também que nosso calendário, nossos gramados, nossos dirigentes e nossas arbitragens fossem menos medíocres. Enquanto esse não for o caso, as crias vão sempre querer voar.
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