Calote da dívida pública denominada em moeda doméstica
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Há alguns dias, na seção Painel desta Folha , editada por Fábio Zanini, foi noticiado que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo enviara uma mensagem por escrito ao coordenador da campanha do candidato Lula , o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli, afirmando que há exagero do mercado financeiro sobre o volume da dívida pública. Segundo o texto, Belluzzo escreveu:
"Em minhas peregrinações pelos labirintos da história do capitalismo não encontrei sequer um fiapo de memória denunciando uma crise monetário-financeira provocada pelo endividamento ‘excessivo’ dos governos em moeda nacional."
Um recente artigo, com o sugestivo título "Uma jornada pela história dos calotes soberanos de dívida pública emitida na jurisdição doméstica", de Aitor Erce, Enrico Mallucci e Mattia Picarelli, disponibiliza base de dados de calote de dívida pública doméstica. O artigo encontrou 134 eventos de calote e reestruturação de dívida doméstica em 52 países entre 1980 e 2018. Desses, 76 foram em países da América Latina, sendo 39 na América do Sul.
Aparentemente, a peregrinação —vale lembrar que jornada é um sinônimo perfeito de peregrinação— de Belluzzo não foi muito exaustiva.
De fato, em 2011 foi publicado na prestigiosa revista The Economic Journal, editada pelo departamento de economia de Cambridge, o artigo "A história esquecida da dívida doméstica", de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff.
Há uma diferença sutil entre os dois artigos mencionados acima. O de 2011 estuda casos de calote de dívida soberana emitida na moeda local. O artigo mais recente trata de dívida soberana emitida na jurisdição local. Como tratado no artigo mais recente, há quase sempre uma tripla coincidência: a dívida emitida na jurisdição local é denominada em moeda local, e o detentor é um residente do país.
É difícil mesmo entender o motivo de haver calote em dívida denominada na moeda local, pois é sempre possível emitir moeda e recomprar a dívida. O problema é que esse caminho pode gerar uma hiperinflação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.