‘I Love Boosters’ aposta em fantasia delirante para construir um manifesto contra o capitalismo
Em I Love Boosters , o absurdo não é um mero desvio da realidade, mas uma maneira intencional de escancará-la.
Em cartaz na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo , o novo longa de Boots Riley transforma uma história aparentemente comum sobre três boosters (gíria para pessoas que roubam mercadorias de lojas para revendê-las) em uma comédia satírica e surrealista sobre a indústria da moda, a exploração do trabalho e as contradições da sociedade capitalista.
Conhecido por sua carreira como rapper, Riley estreou como diretor em 2018 com Desculpe Te Incomodar e, mais tarde, realizou a série Sou de Virgem (2023).
Apostando todas as suas cartas no afrossurrealismo, o cineasta vem construindo um dos cinemas mais políticos e transgressores da Hollywood contemporânea, e alcança em I Love Boosters o ponto máximo de sua criatividade.
A história começa com um grupo de boosters liderado por Corvette ( Keke Palmer ), que entra em várias furadas ao lado de Mariah ( Taylour Paige ) e Sade ( Naomi Ackie ).
Christie Smith ( Demi Moore ), por sua vez, é uma empresária rica e diretora criativa de uma marca de moda supostamente inovadora e disruptiva.
Corvette sonha em se tornar estilista e enxerga em Christie uma inspiração. (Essa admiração também é parte de uma crítica maior sobre a obsessão por celebridades que a cultura do consumo alimenta).
Porém, quando Christie copia uma das criações de Corvette , as três garotas armam um plano contra a empresária — que logo sai completamente dos eixos.
Elas descobrem que Christie não é tão disruptiva quanto parecia: assim como outras figuras da indústria, ela comanda um negócio sustentado pela exploração de trabalhadores.
Do outro lado do mundo, na China, os funcionários da fábrica que produz suas roupas estão adoecendo sob condições degradantes e recebendo quase nada, e estão começando a se revoltar por conta disso.
É neste cenário que surge Jianhu ( Poppy Liu ), um dos destaques do longa.
Líder da revolta na fábrica chinesa, ela se une às americanas para transformar o roubo de roupas em uma forma de sobrevivência e contestação do sistema.
Ao longo das duas horas de filme, o espectador é apresentado cada vez mais e mais camadas surpreendentes dessa história.
O que começa como uma trama aparentemente convencional sobre furtos se transforma em uma fantasia anticapitalista delirante, recheada de ficção científica e experimentações artísticas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.