Flávio Bolsonaro não consegue apoio de aliados no Brasil; veja quem foi contra e quem apoiou a carta do senador
A decisão do senador brasileiro Flávio Bolsonaro ( PL ) de se autoproclamar o ‘verdadeiro presidente eleito’ para, em seguida, alterar para ‘líder do Brasil’ e se colocar como o representante da oposição não conseguiu angariar apoio de figuras-chave de seu campo político. A carta divulgada pelo senador na noite de ontem (29) , no fim, acabou isolando ainda mais o parlamentar.
Flávio publicou o documento nas redes sociais depois de chegar aos Estados Unidos na quarta-feira, tendo deixado o Brasil após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por mais de quatro milhões de votos no segundo turno de domingo (25).
Embora o senador tenha alegado ser vítima de um golpe eleitoral na carta, ele não apresentou provas de fraude nas eleições.
Além disso, a vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) — cujo presidente, Kassio Nunes Marques , foi indicado para o Supremo Tribunal Federal ( STF ) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro , pai de Flávio —, por líderes mundiais , por observadores internacionais e pelo próprio PL, partido do senador .
Apenas um aliado do senador, entre os que estavam ao lado dele no discurso após a derrota nas urnas, compartilhou a carta na qual se autodeclarou ‘presidente eleito do Brasil’. Nenhum aliado compartilhou a segunda versão do texto, na qual Flávio se disse o ‘líder’ do país.
O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, disse na manhã desta quinta que não gostou da carta divulgada no dia anterior, que não a aprovou e que também não sabia previamente da fuga aos Estados Unidos.
“Não gostei”, disse o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, aos repórteres, quando questionado sobre a carta.
“Flávio passou por uma situação difícil — nós compreendemos — mas não aprovamos. Queremos tocar o país para frente”, acrescentou depois.
Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) , um importante aliado de Flávio que fez campanha pelo senador, disse ao Estadão que os resultados das eleições no Brasil devem ser respeitados e que é hora de seguir em frente.
Aécio Neves, líder do PSDB, de centro-direita, e crítico do PT e de Lula, descreveu o comportamento de Flávio como “incompreensível” em um comunicado, acrescentando que a política de oposição deve ser conduzida de dentro do país.
O partido de centro-direita União Brasil, que apoiou o senador no segundo turno, afirmou ser essencial que as instituições “sejam maiores que as pessoas”. A eleição foi conduzida com integridade e seus resultados devem ser respeitados, acrescentou.
O MDB, de centro, que também apoiou, em sua maioria, Flávio no segundo turno, adotou um tom semelhante.
“O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado da eleição do último domingo”, afirmou.
Apenas José Medeiros (PL), senador eleito no Mato Grosso, postou a carta, ainda na primeira versão divulgada por Flávio. Nela, o candidato derrotado na eleição presidencial escreveu: “dirijo-me a ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, disse o senador.
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