BBA corta alvo do Nubank e não vê queda como oportunidade
O Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações do Nubank de US$ 18 para US$ 15, para o fim de 2027, e manteve a recomendação neutra. Mesmo após a desvalorização recente, o banco considera que os papéis ainda podem cair mais, caso os resultados da fintech comecem a refletir um cenário mais difícil para o crédito.
Em relatório de quarta-feira (28), recebido nesta quinta (29), Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen reduziram em mais 4% a projeção de lucro do Nubank para 2027, para US$ 4,4 bilhões. O valor está aproximadamente 19% abaixo da média das estimativas do mercado.
Queda das ações ainda não representa oportunidade de compra, segundo o BBA. Os analistas avaliam que a desvalorização recente foi provocada principalmente pelos juros americanos e pelas preocupações com a economia brasileira. O risco agora é que uma revisão para baixo das expectativas de lucro provoque novas perdas.
A queda das ações do Nubank levantou questões sobre a criação de um ponto de entrada. Não acreditamos que seja o caso. Itaú BBA, em relatório
Endividamento das famílias preocupa. Segundo o banco, o comprometimento da renda com dívidas está elevado, especialmente entre consumidores de menor renda. Inflação mais alta, desemprego e atividade econômica fraca podem dificultar o pagamento dos empréstimos.
Piora do crédito já aparece em outros bancos. Bradesco e Santander Brasil registraram aumento da inadimplência entre pessoas físicas, apesar das medidas adotadas para reduzir riscos. O Nubank também está exposto a esse cenário, principalmente por sua participação relevante em cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia.
Mudanças nas regras de concessão de crédito também trazem incertezas. O relatório cita medidas do Banco Central contra o superendividamento, incluindo restrições à oferta de empréstimos para clientes vulneráveis e regras para operações de crédito pelo Pix. Segundo o BBA, essas exigências podem afetar o crescimento do banco digital.
Busca por clientes de maior renda pode pressionar as margens. Consumidores com menor risco de inadimplência geralmente conseguem empréstimos com juros mais baixos, o que reduz a rentabilidade dessas operações.
México deve contribuir menos para a redução dos custos de captação. Segundo o BBA, a operação mexicana terá menor capacidade de ajudar a diminuir o custo dos recursos que o Nubank utiliza para conceder empréstimos. A unidade ainda é pequena para compensar uma eventual desaceleração no Brasil.
Expansão continuará exigindo investimentos. A busca por clientes de renda intermediária e o crescimento internacional devem manter as despesas elevadas. Ao mesmo tempo, o Itaú BBA incorporou um real mais fraco e uma remuneração maior exigida pelos investidores ao reduzir seu preço-alvo.
Itaú BBA mantém visão positiva para o Nubank no longo prazo, mas prefere esperar. Os analistas reconhecem o potencial de crescimento da fintech, embora considerem necessário acompanhar a evolução do crédito e da rentabilidade.
Ainda vemos o Nubank como um vencedor de longo prazo, mas aguardamos mais clareza para voltar a investir. Itaú BBA, em relatório
Recomendação permanece neutra, com preço-alvo de US$ 15.
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