Síria prevê volta das negociações com Israel, apesar da falta de confiança
A Síria espera que as negociações com Israel sejam retomadas em breve sobre um acordo de segurança que, segundo o país, levará à retirada de Israel do território sírio, afirmou um importante ministro sírio, instando Israel a aproveitar uma “oportunidade histórica”, já que a porta para a diplomacia está aberta.
Em entrevista à Reuters em Damasco no sábado (22), dias após Israel ter bombardeado uma base aérea síria, o ministro das Relações Exteriores, Asaad al-Shaibani, também enfatizou que a prioridade de Damasco é interromper os ataques israelenses, afirmando que são necessárias medidas para construir confiança nesse sentido.
Há mais de um ano, Washington vem buscando firmar um acordo de segurança entre Israel e o governo do presidente sírio Ahmed al-Sharaa, um novo aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Mas isso tem se mostrado difícil, já que Israel enviou tropas ao território sírio e atacou instalações do governo, alegando ameaças à sua segurança.
Leia mais Vídeo mostra momento em que ataque aéreo israelense atinge cidade em Gaza Israel realiza ataque no sul da Síria; Damasco condena ofensiva Israel avança com plano que pode impossibilitar solução de dois Estados Shaibani disse que as negociações sobre o acordo de segurança estavam congeladas desde o início da guerra com o Irã, mas esperava que fossem retomadas.
O contato entre a Síria e Israel foi interrompido após o ataque à base aérea, afirmou ele.
“Acreditamos que deveria haver contato, especialmente com uma parte que ameaça constantemente a segurança da Síria.
Mas se esse contato não trouxer resultados, então não precisamos dele”, disse Shaibani.
“Não confiamos em Israel no momento”, afirmou.
O gabinete do primeiro-ministro israelense não respondeu a um pedido de comentário.
Pressão dos EUA Sharaa afirmou que a Síria não representa ameaça a outros países, com Damasco focada na reconstrução após 14 anos de guerra.
Autoridades israelenses têm falado sobre uma série de perigos potenciais na Síria desde que Bashar al-Assad foi derrubado, com alguns descrevendo os novos governantes como jihadistas mal disfarçados no ano passado, mesmo enquanto Sharaa estabelecia laços estreitos com os EUA.
Nos dias seguintes à queda de Assad, em 2024, Israel ocupou território no sudoeste da Síria, alegando a necessidade de proteger seus cidadãos contra ataques, e bombardeou dezenas de instalações militares sírias.
“Israel tentou manter sua segurança por meio da força bruta e não teve sucesso” em lugar algum, disse Shaibani.
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