Perder dentes na velhice não é natural: é reflexo da desigualdade
Durante muito tempo, perder os dentes foi considerado quase um destino natural de quem envelhece.
Como se chegar à velhice significasse, inevitavelmente, ter menos dentes, usar prótese ou aprender a conviver com as limitações provocadas pela perda dentária.
Quem trabalha no Sistema Único de Saúde aprende que não é bem assim.
A boca de uma pessoa idosa também conta a história das oportunidades que ela teve — ou não teve — ao longo da vida.
Conta a história do acesso à prevenção, à água fluoretada , à alimentação adequada, à informação, ao tratamento odontológico e às políticas públicas.
Mas conta também a história de uma época em que a odontologia tinha um caráter muito mais curativo do que preventivo.
Quando o dentista só era procurado com dor Durante boa parte da vida de quem hoje está na terceira idade, o cuidado odontológico frequentemente começava quando a dor já estava instalada.
A extração dentária era uma solução comum em situações que, atualmente, poderiam ser prevenidas, acompanhadas ou tratadas de outras formas.
Continua após a publicidade A educação em saúde bucal , as ações preventivas e a própria compreensão sobre a importância de preservar os dentes naturais também eram muito diferentes das que temos hoje.
Isso ajuda a entender por que a condição bucal de uma pessoa idosa não pode ser analisada apenas pelo que ela faz atualmente.
Ela também reflete o tipo de cuidado, informação e oportunidade de tratamento que esteve disponível ao longo de décadas.
Nesse percurso, a desigualdade social tem um peso importante.
Continua após a publicidade Durante décadas, ter dentes saudáveis, tratar uma cárie no início, substituir dentes perdidos ou simplesmente poder sorrir sem constrangimento esteve, para uma parcela importante da população, muito mais próximo da capacidade de pagar por um serviço do que do exercício de um direito .
Quem podia pagar, cuidava.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.