Quase 40% dos deputados reeleitos foram fiéis a Lula e a Bolsonaro
Quase 40% dos deputados reeleitos foram fiéis a Lula e a Bolsonaro - Dos 312 parlamentares que atuaram nas duas gestões, 114 acompanharam o Planalto em pelo menos 70% das votações. Apoio foi maciço em pautas econômicas, mas diminuiu em áreas como agricultura e segurança.Apesar de representarem agendas políticas muito distintas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contaram com o apoio de um mesmo grupo de parlamentares para aprovar propostas do governo no Congresso. Levantamento da DW mostra que mais de um terço dos deputados que atuaram nos dois mandatos presidenciais acompanhou a orientação do Executivo em ao menos 70% das votações.
Ao todo, 114 parlamentares seguiram a orientação do Planalto nos dois períodos, de um universo de 312 que participaram de votações em ambos os governos, incluindo suplentes. Os votos pró-Lula foram calculados do início de sua terceira gestão até julho de 2026.
A fidelidade desse grupo supera com folga a média da Câmara. Eles acompanharam Bolsonaro em 89% das votações disputadas e Lula em 80%. Entre os demais parlamentares, os índices foram de 66% e 61%, respectivamente.
A adesão se concentrou nas pautas econômicas e de governabilidade e diminuiu em temas ligados a costumes, meio ambiente, defesa e questão fundiária.
O apoio foi decisivo para aprovar pautas centrais de cada gestão. Na reforma da Previdência, uma das principais vitórias do governo Bolsonaro, o grupo votou com o Executivo em 92% das ocasiões. No arcabouço fiscal, peça-chave da política econômica de Lula, a adesão chegou a 95%. Na reforma tributária, ficou em 92%. Nos três casos, os demais deputados registraram índices entre 66% e 70%.
A DW analisou 2.021 votações nominais realizadas nas duas gestões, envolvendo projetos de lei, leis complementares, PECs e medidas provisórias, em que houve ao menos 10% de divergência entre os votos, excluindo, portanto, deliberações praticamente consensuais.
Consideradas as bancadas, sete partidos votaram com os dois presidentes em mais de 65% das votações disputadas. Lideram a lista Solidariedade (83% com Bolsonaro e 81% com Lula), Republicanos (92% e 71%), PSD (87% e 73%), Podemos (84% e 73%), PP (93% e 65%), Avante (74% e 80%) e MDB (84% e 69%). O União Brasil teve adesão menor a Lula, de 57%.
O cálculo reúne os votos dos deputados de cada partido em cada governo, considerando a legenda à qual pertenciam no momento da votação. Nos casos de fusões ou mudanças de nome, os votos foram atribuídos à sigla atual.
Juntas, essas legendas controlam cerca de 200 das 513 cadeiras da Câmara, mais do que PT e PL somados. Nenhuma lançou um candidato competitivo à Presidência da República nas eleições mais recentes. No Legislativo, porém, elas concentraram todos os presidentes da Câmara e do Senado desde 2019: Rodrigo Maia (DEM, atual União Brasil), Arthur Lira (PP), Hugo Motta (Republicanos), Davi Alcolumbre (DEM/União Brasil) e Rodrigo Pacheco (PSD).
O grupo também se destaca pela capacidade de reter seus quadros. Dos 114 deputados identificados no levantamento, 33 trocaram de partido entre o governo Bolsonaro e a legislatura atual.
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