Fim de uma era: Alagoas tem 1ª eleição estadual sem Collor nem sucessor
Em 2002, após cumprir a inelegibilidade decorrente do impeachment de 1992, Fernando Collor de Mello voltou aos holofotes políticos e tentou, sem sucesso, voltar ao comando do Governo de Alagoas.
Desde aquele ano, Collor disputou todas as eleições estaduais ou federais, com uma curiosidade: em uma delas, registrou-se apenas 28 dias antes da votação (2006) e, em outra, desistiu a menos de 20 dias dela (2018).
Após vitórias e derrotas nas urnas, o ex-presidente cumpre hoje pena em regime domiciliar, em sua luxuosa cobertura à beira-mar. Do alto do prédio no bairro de Jatiúca, em Maceió, viu sua influência política ser dizimada e amargou um ostracismo inédito neste século.
Antes de chegar à Presidência, Collor foi prefeito de Maceió entre 1979 e 1982 e, três anos depois de deixar o cargo, foi eleito deputado federal pelo PDS (Partido Democrático Social), assumindo no ano seguinte. Em 1986, ganhou a eleição para governador de Alagoas pelo então PMDB e ficou no cargo entre 1987 e 1989, quando deixou a cadeira para concorrer à Presidência.
Em Alagoas, criou um slogan que o Brasil conheceria bem: "o caçador de marajás". Bonito e com discurso forte, venceu as eleições de 1989, após bater Lula no segundo turno, e foi o primeiro presidente eleito por voto direto após a ditadura militar (1964-1985).
Se fez história como o primeiro eleito após o regime de exceção, repetiu em 1992 ao ser o primeiro presidente do Brasil a sofrer impeachment , após denúncias de corrupção feitas pelo próprio irmão, Pedro Collor, que morreu em 1994 de um câncer no cérebro.
Ainda em 2000, tentou ser candidato a prefeito de São Paulo, mas teve o registro de candidatura cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que entendeu que ele ainda estava no período de inelegibilidade.
Em 2002, Fernando Collor decidiu voltar com uma candidatura ao Governo de Alagoas, o que fez o Brasil se voltar para o pequeno estado e reassistir à campanha daquele homem. Poucos acreditavam na eleição, e Collor fez uma campanha focada na "injustiça" que teriam cometido contra ele, pedindo aos alagoanos um retorno e alegando os "bons serviços prestados" como governador.
Dono do maior sistema de comunicação do estado, Collor usava seus veículos para atacar o adversário Ronaldo Lessa, que tentava reeleição, a ponto de a TV Globo decretar uma intervenção na TV Gazeta após o então governador procurar a direção com um "dossiê" de matérias negativas.
Collor perdeu a eleição ainda no primeiro turno (52,9% x 40,2%) . Ali, diziam muitos, era o fim da era Collor. Ledo engano.
Contra o mesmo Lessa, quatro anos depois, Collor voltou às urnas, dessa vez tentando a vaga ao Senado.
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