Trump vira seus canhões para a América Latina
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Em sua aurora, a Doutrina Monroe se mostrava benéfica para os países das Américas ao repudiar a ingerência colonial europeia nas nações que se formavam na região.
Formulada pelo presidente James Monroe em 1823, ela buscava consolidar a influência dos recém-criados EUA, sem advogar a interferência direta nos vizinhos. Ao longo dos anos, o crescente poderio de Washington deturpou a já pouco inocente premissa, e, em 1904, Theodore Roosevelt acrescentou um corolário com seu sobrenome ao texto original.
A partir dele, os EUA se arrogaram o direito de intervir para garantir o controle do que viam como seu quintal estratégico. O resultado foi um século de apoio a ditadores amigos e um sem-número de ações militares.
O fim da Guerra Fria e a ascensão do hoje abalado multilateralismo amainaram o ímpeto dos EUA, mas a volta de Donald Trump ao poder gerou um novo capítulo nessa história sombria.
Considerando inaceitável a prevalência comercial da China na América Latina , o republicano resolveu editar sua versão do dito corolário na Estratégia de Segurança Nacional de 2025.
Ela emprega o correto argumento do combate transnacional ao crime organizado e ao narcotráfico para justificar ações militares nos vizinhos —enquanto patina no Oriente Médio .
O poder fincado em Caracas serviu para ampliar o bloqueio a outra ditadura condenável, a de Cuba , que está em deterioração.
Onde os governos à esquerda fracassaram, o republicano viu emergir aliados populistas de direita como o argentino Javier Milei , o chileno José Antonio Kast e o colombiano Abelardo de la Espriella . Trump agiu em apoio a eles e a outros; agora, mira o prêmio maior da região: o Brasil.
O cerco ao governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) é multifacetado, com tarifas comerciais, cassação do visto da embaixadora, classificação de facções como terroristas e até um anunciado sobrevoo de bombardeiros para ataques nucleares nas proximidades do território brasileiro, com apoio de Santiago e Buenos Aires .
O beneficiário presumido seria o clã Bolsonaro, idólatra confesso do trumpismo, que tem no senador Flávio ( PL -RJ) o desafiante no pleito deste ano. Lula repetiu a tática de levantar a bandeira da soberania, algo que já lhe rendeu dividendos políticos.
Quando as esparrelas eleitorais de lado a lado cessarem, sobrará a ameaça renovada das canhoneiras do bufão da Casa Branca, resumida numa postagem do Departamento de Estado na terça-feira (11): "O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado".
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.