Maior produtora mundial de pimenta-rosa: a cidade capixaba de 1544 onde desova a maior tartaruga do planeta
A produção agrícola divide espaço com praias importantes para a vida marinha
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Existem cidades que se explicam por um único produto e outras que precisam de dois mapas para serem entendidas. No norte do Espírito Santo , São Mateus guarda de um lado o casario de um porto que exportava farinha e madeira desde o século XVI , e do outro uma faixa de areia onde a tartaruga-de-couro , o maior réptil marinho do mundo, ainda encontra lugar para desovar. No meio, uma lavoura de especiarias que virou referência internacional e ganhou selo de origem próprio.
Porque o grão colhido ali passou a valer pela procedência, e não apenas pelo peso. Segundo a Prefeitura de São Mateus , o município é reconhecido como maior produtor e exportador mundial de pimenta-rosa desde 2012 , e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao território a Indicação Geográfica (IG) do produto, uma chancela que delimita a área de cultivo e atesta a origem, como acontece com vinhos europeus.
A pimenta-rosa nem é pimenta: é o fruto da aroeira , árvore nativa da Mata Atlântica que cresce nas restingas do litoral capixaba e virou tempero de cozinha fina na Europa. O pedido de reconhecimento foi conduzido pela associação de produtores com apoio técnico do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) , que estuda a cultura na região desde 2008 .
O peso aparece quando se olha a pimenta-do-reino. Conforme o Incaper , São Mateus concentra 35% de toda a produção capixaba da especiaria, à frente de Jaguaré, Vila Valério e Nova Venécia, num Estado que responde por cerca de 60% da safra brasileira, de acordo com a Secretaria da Agricultura do Espírito Santo (Seag) .
Quem sustenta esse volume não são grandes fazendas: a agricultura familiar responde por 76% dos estabelecimentos que cultivam pimenta no Estado, segundo o mesmo levantamento do Incaper. É um arranjo parecido com o de outra cidade do interior que exporta para dezenas de países , onde a força vem da soma de pequenas propriedades e não de um único gigante.
Areia quente e escura, e pouca gente por perto. A tartaruga-de-couro pode passar de 1,80 m de casco e chega a meia tonelada, e o litoral norte capixaba é, conforme o Projeto Tamar , a única área de desova regular conhecida da espécie no Brasil , com algo em torno de 120 ninhos por temporada em todo o país.
Cento e vinte ninhos por temporada em todo um país é um número pequeno o bastante para caber em uma planilha, e essa é justamente a medida do risco que cerca a espécie. O monitoramento fica a cargo do Centro Tamar do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) , que mantém uma base avançada na Ilha de Guriri . A temporada de desova vai de setembro a março, período em que a iluminação da orla e o trânsito na areia entram na conta de quem administra o balneário.
O Sítio Histórico do Porto de São Mateus foi o primeiro conjunto tombado pelo Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo, por resolução de 1976 , e reúne dezenas de casarões erguidos quando o rio Cricaré escoava farinha de mandioca, madeira e cereais para outras províncias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.