Inteligência artificial desestimula ações contra mudanças climáticas, aponta estudo
Os sistemas de inteligência artificial podem estar reforçando comportamentos que dificultam o combate às mudanças climáticas.
A conclusão é de um estudo conduzido por Seth Wynes, pesquisador da Universidade de Waterloo, no Canadá, em parceria com outros cientistas.
Publicado na revista científica Environmental Research Communications , o trabalho identificou que chatbots são, em média, 7,5 vezes mais propensos a recomendar a manutenção de políticas existentes do que a defender mudanças, mesmo quando as regras em vigor prejudicam o meio ambiente.
A descoberta levanta dúvidas sobre o papel da inteligência artificial na transição para uma economia de baixo carbono.
Ferramentas utilizadas para responder perguntas cotidianas, como qual carro comprar, o que cozinhar ou qual sistema de aquecimento instalar, podem acabar reproduzindo hábitos de consumo já estabelecidos, em vez de apresentar alternativas menos poluentes.
O problema ganha importância à medida que consumidores, empresas e governos passam a utilizar esses sistemas para orientar decisões.
Mais de 54 mil consultas analisadas Para investigar o comportamento dos chatbots, os pesquisadores elaboraram 7.
548 perguntas e as submeteram a pelo menos seis modelos de linguagem, tecnologia utilizada por ferramentas de inteligência artificial capazes de conversar com usuários.
Ao todo, foram realizados 54.
888 testes, envolvendo escolhas de consumo e decisões sobre políticas públicas.
Continua após a publicidade Uma das etapas examinou como os sistemas reagiam a propostas que envolviam interesses conflitantes.
Os pesquisadores apresentaram situações em que a redução das emissões de gases de efeito estufa poderia entrar em conflito com a preservação da biodiversidade, o bem-estar animal, a liberdade dos consumidores ou questões de igualdade.
As perguntas foram formuladas de maneiras diferentes para verificar se a resposta mudava conforme a situação apresentada.
Em um exemplo, os sistemas precisavam avaliar a criação de uma política que reduziria as emissões, mas prejudicaria uma espécie ameaçada.
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