Mortes: Criou um teatro e foi avô coruja em Curitiba
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Nascido em 1945 em Maceió, Alagoas , filho de um dentista militante de esquerda que logo migraria para o interior do Paraná , Ronaldo passou a infância em Sertanópolis e, aos 14 anos, chegou a Curitiba para nunca mais sair.
Iniciou o curso de direito , mas em dois anos trocou-o pela arquitetura . Desenhista hábil, incansavelmente criativo, teve incursões pelo design —a Cadeira Macunaíma é considerada um clássico paranaense.
No fim dos anos 1960, tornou-se o cenógrafo de uma grande geração do teatro local. Com o diretor Oraci Gemba e a atriz Iara Sarmento, fundou o Grupo Momento. Participou de montagens de "Arena Canta Zumbi" e "A Casa de Bernarda Alba".
"Ronaldo foi o primeiro cenógrafo a fechar o fosso da orquestra do Guairinha para um cenário, em 1974. Nunca mais abriram. Ali ficou a marca dele", lembra Beto Bruel, companheiro da época e hoje um dos grandes iluminadores cênicos do Brasil.
Também fez cinema : em parceria com Marcos Carrilho, assinou cenografia e direção de arte em "Aleluia, Gretchen", de Sylvio Back, que lhe rendeu um prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte em 1978.
Fez os primeiros esboços do que viria a ser o Teatro Paiol , em Curitiba, à época um depósito abandonado que ele, Gemba e Iara cobiçavam como espaço fixo para o Grupo Momento. Tempos depois, em 1971, Jaime Lerner , então prefeito biônico da cidade, abraçou a ideia.
Com a esposa Lélia Maria Corrêa de Azevedo, com quem teve as filhas Juliana, Carolina, Janaína e Gabriela, organizou, no fim dos anos 1960, a Feira Popular de Curitiba —embrião da atual Feira de Artesanato do Largo da Ordem, parada obrigatória na cidade aos domingos.
Nos anos 1980, tornou-se industrial. A Duomo produziu estruturas em fibra de vidro para todos os bancos do país. Muito criativos, os sócios descuidaram da administração, e a empresa faliu.
Com mais de 50 anos, Ronaldo viu-se na tarefa de recomeçar. Já avô, passou a montar brinquedos em papelão para as netas. Daí surgiu a Oficina do Vovôio, empresa familiar que produzia brinquedos educativos artesanais em madeira.
Nos últimos anos de vida, acometido por uma fibrose pulmonar , precisou se adaptar a uma cadeira de rodas e —mais tarde— a um balão de oxigênio. Nunca se sentiu limitado nem perdeu o bom humor. Adorava reunir as filhas, os genros, as netas Olivia, Laura e Helena e o neto adotivo Joaquim, filho dos vizinhos do apartamento onde passou os últimos anos de vida.
Gostava de vinho, futebol, política e de passar horas relembrando histórias e falando dos projetos que ainda lhe fervilhavam na mente.
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