Discord recorre contra suspensão de lives determinada pela ANPD
O Discord recorreu da decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que determinou a suspensão das transmissões ao vivo e de outras ferramentas de compartilhamento de vídeo da plataforma no Brasil. O recurso foi apresentado nesta segunda-feira, 24, e está sendo analisado pela agência.
"A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) informa que está analisando o recurso apresentado pela plataforma Discord nesta segunda-feira (24)", informou o órgão. O Estadão procurou o Discord, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto.
A determinação da ANPD foi adotada na semana passada e condiciona a retomada das ferramentas à comprovação de medidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.
O Discord já havia anunciado, no dia 17 de agosto, a suspensão dos recursos de compartilhamento de tela e vídeo no País em cumprimento à decisão. Em carta publicada em seu site, a empresa afirmou que "esta é uma situação séria" e mencionou o suicídio de uma adolescente de 13 anos, que tirou a própria vida após ser alvo de incitação à violência por uma rede de ódio que se articulou na internet.
"A ordem ocorre após um caso devastador envolvendo a morte de uma adolescente, na sequência de uma campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas. Trabalhamos todos os dias para manter esses indivíduos fora da nossa plataforma e para tornar o Discord mais seguro para os adolescentes. Temos colaborado e continuamos colaborando com as autoridades policiais neste caso", diz a carta do Discord.
O Discord também disse que trabalhava para restabelecer os recursos suspensos "o mais rápido possível". Segundo a empresa, a plataforma é utilizada no Brasil por gamers, desenvolvedores, pequenas empresas e outras comunidades.
Apesar da suspensão das ferramentas de vídeo e compartilhamento de tela, permanecem disponíveis as mensagens diretas individuais e em grupo, os servidores, os canais de voz e chamadas exclusivamente de áudio e os demais recursos que não dependem das funcionalidades afetadas pela decisão.
Antes de apresentar o recurso, o Discord já havia questionado aspectos da atuação da ANPD na investigação. Em resposta apresentada à agência no dia 14 de agosto, a empresa afirmou que o órgão tinha conhecimento, desde fevereiro, do mecanismo de aferição de idade utilizado pela plataforma e que, até então, não havia apontado problemas nem exigido melhorias nesse sistema.
O Estadão teve acesso ao documento apresentado pela empresa e questionou a ANPD sobre essa alegação, mas ainda não havia obtido resposta.
A investigação foi instaurada no início deste mês para apurar possíveis irregularidades relacionadas à proteção de crianças e adolescentes no Discord.
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