Compra da Caju recoloca iFood diante de antiga discussão no Cade
A compra da Caju pelo iFood abre uma nova frente na disputa pelo mercado brasileiro de vale-refeição e alimentação, que movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano.
Além de praticamente dobrar o tamanho de sua operação de benefícios, o grupo controlado pela Prosus passa a reunir uma base ainda maior de usuários, empresas contratantes e estabelecimentos comerciais.
O negócio, porém, também recoloca em evidência uma questão que já esteve sob análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade): a relação entre a plataforma de delivery e suas operações de benefícios.
Uma investigação aberta em 2022, a partir de representação da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), examinou alegações de que o iFood poderia utilizar vantagens obtidas no mercado de entregas para favorecer seu cartão de benefícios.
O Cade arquivou as frentes relacionadas ao uso de dados e a supostos subsídios cruzados, mas determinou a continuidade da apuração sobre eventual tratamento diferenciado de operadoras concorrentes dentro do aplicativo.
A aquisição da Caju é uma operação distinta daquela investigação e ainda será submetida à análise das autoridades concorrenciais e do Banco Central .
O ponto de atenção está na integração de negócios que atuam em diferentes elos de uma mesma cadeia: o iFood reúne consumidores e restaurantes, enquanto suas plataformas de benefícios disputam contratos com empresas empregadoras e pagamentos realizados por trabalhadores.
Juntos, iFood Benefícios e Caju somam aproximadamente 3 milhões de usuários e 135 mil empresas clientes, sem descontar eventuais sobreposições.
Cada companhia processa cerca de R$ 1,3 bilhão por mês em transações, o que representa um volume combinado próximo de R$ 31,2 bilhões por ano, mantido o ritmo atual.
Continua após a publicidade O negócio também amplia a capacidade do iFood de disputar espaço com operadoras tradicionais, como Alelo, VR, Ticket e Pluxee.
A Caju acrescenta ao grupo serviços de gestão de despesas, recursos humanos e soluções financeiras para funcionários.
O movimento ocorre em meio a mudanças regulatórias no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que buscam ampliar a concorrência e a interoperabilidade no setor.
As empresas sustentam que a união permitirá oferecer produtos mais competitivos, ampliar a inovação e reduzir custos.
O valor da aquisição não foi divulgado oficialmente, embora estimativas publicadas pela imprensa situem a avaliação da Caju em aproximadamente R$ 1 bilhão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.