Relação com Trump: Brasil quer evitar nova escalada na crise diplomática
A relação entre os governos Lula e Trump entrou numa fase mais silenciosa, na qual o principal interesse do presidente brasileiro é evitar uma nova escalada na crise diplomática bilateral e insistir perante interlocutores americanos na necessidade de apostar num vínculo pragmático, sem que seja condição um alinhamento político.
Mas o diálogo não flui, porque do lado americano o cenário é profundamente adverso, admitiu à coluna o ex-diplomata americano Ricardo Zúñiga, que foi conselheiro político na embaixada americana em Brasília e ocupou vários cargos nos governos Obama.
Segundo Zúñiga, depois da visita de Lula a Washington, o presidente Trump mostrou desinteresse pelo Brasil e isso ampliou o espaço para a ala ideológica liderada pelo Departamento de Estado.
O time comandado pelo secretário de Estado Marco Rubio está de novo no comando, e, em palavras do ex-diplomata e hoje consultor, esse time não tem o menor interesse em manter uma relação normal com o governo Lula.
O governo brasileiro continua trabalhando nos bastidores para restaurar a relação e impedir que o desgaste chegue a um ponto de difícil retorno. Quando os EUA revogaram o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, autoridades americanas deram a entender que a escalada poderia continuar e chegar ao ponto de declarar a embaixadora persona non grata no país. Ou seja, Viotti deveria, nesse caso, abandonar os EUA.
Hoje, a embaixadora continua trabalhando na sede diplomática em Washington, com a limitação de não poder sair do país. Se sair, seu visto perderá validez e ela não pode retornar. Enquanto permanecer no território americano, o visto continua vigente.
As conversas do lado brasileiro têm frisado o interesse do governo Lula em manter uma relação pragmática com os EUA de Trump, focando em temas como comércio e investimentos.
Mas o esforço por mostrar a importância da relação bilateral esbarra permanentemente no bloqueio imposto pelo time de Rubio. A recente incorporação de Juan Pablo Segura como subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental não mudou em nada o panorama.
O filho de imigrantes argentinos é visto por fontes diplomáticas brasileiras como um funcionário com bom currículo, que fez um bom trabalho no governo do estado da Virgínia, e passou por organismos internacionais como Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Segura vem do setor privado, e faz parte da ala de funcionários políticos que está substituindo os diplomatas de carreira que foram demitidos, ou abandonaram o Departamento de Estado por decisão própria. Em sua sabatina, fez foco na agenda negativa sobre a região e na necessidade de reduzir a influência na China na América Latina.
Com Trump preocupado e ocupado por outros temas, decisões como a tomada sobre o visto da embaixadora brasileira partem de grupos altamente ideológicos do Departamento de Estado.
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