Site prevê resultado das eleições com exatidão nunca vista
Na noite de domingo (25), quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tinha apurado só 5% das urnas do 2º turno, a contagem parcial ainda mostrava Flávio Bolsonaro (PL) à frente, com 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Lula (PT). Naquele mesmo minuto, às 19h58, um site projetava outra coisa: Lula com 51,78%. O resultado final, fechado pelo TSE às 23h26, foi 51,79%, um centésimo de ponto de diferença.
O site é o Placar Eleitoral (placareleitoral.org), que acompanhou a apuração ao vivo mostrando a totalização oficial do TSE e, ao lado dela, uma projeção estatística de onde a contagem iria terminar. A projeção apontou a vitória de Lula às 20h35, com 57,1% das urnas na conta, e não mudou mais até o fim da noite. Àquela altura, a parcial ainda oscilava em torno de 50%.

35 disputas, 35 acertos
O teste não se resumiu à eleição presidencial no país. O site fez projeções separadas para presidente no Brasil, em cada um dos 26 estados, no Distrito Federal e no exterior, e para governador nos seis estados com 2º turno: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins. Foram 35 disputas. Em todas, o candidato apontado pela projeção foi o eleito.
A precisão também foi medida nos números, não só no nome do vencedor. Em cada disputa, o site registrou a projeção em nove momentos da apuração, com 1%, 2%, 5%, 10%, 20%, 30%, 50%, 70% e 90% das urnas apuradas. Em 314 desses 315 registros, o resultado final do TSE ficou dentro da faixa provável que o site exibia naquele instante.
Nos estados, a comparação com a apuração parcial mostra o tamanho da diferença. Com 5% das urnas apuradas, a projeção para presidente errou, em média, 0,22 ponto percentual em relação ao resultado final de cada estado. A parcial, no mesmo momento, errava 3,75 pontos, 17 vezes mais. Com 10% das urnas, os erros médios foram de 0,18 ponto na projeção e de 3,23 na parcial; com 20%, de 0,15 e 2,37.

Governadores apontados com 5% das urnas
Nas disputas para governador com vantagem clara, a projeção apontou o vencedor logo no começo da noite. Omar Aziz, no Amazonas, e Celina Leão, no Distrito Federal, foram indicados às 19h31; Vicentinho Júnior, no Tocantins, às 19h37; e Mailza Assis, no Acre, às 19h38, sempre com cerca de 5% das urnas apuradas, o mínimo que o site exige antes de mostrar um vencedor.
Nas disputas apertadas, o site esperou mais. No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini, que terminou com 52,17%, só foi apontado com 88% das urnas na conta. No Rio Grande do Norte, a disputa mais apertada da noite, Cadu de Lula venceu com 50,77%, e a projeção só cravou o resultado com 80% das urnas apuradas. A regra é a mesma para todos: o selo de vencedor só aparece quando a chance passa de 99,5%.
Como a projeção funciona
A projeção do Placar Eleitoral não é pesquisa de intenção de voto nem boca de urna: ela só usa votos já apurados. A ideia central é comparar cada urna com ela mesma. Para cada urna do 2º turno que já chegou ao TSE, o site compara o voto de cada candidato com o voto que ele teve na mesma urna no 1º turno.
Essa taxa de mudança é calculada por zona eleitoral. Quando a zona ainda tem poucos votos apurados, a taxa é puxada para a do município, do estado e do país, técnica conhecida como encolhimento hierárquico, que evita saltos quando há poucos dados. Para cada urna que ainda falta, o voto projetado é o voto do 1º turno naquela urna multiplicado pela taxa da sua zona. Somando o que já foi apurado e o que foi projetado, chega-se ao resultado estimado.
A projeção também parte do total oficial: o site soma ao número publicado pelo TSE apenas a estimativa das urnas que ainda faltam, para que a projeção caminhe junto com a apuração oficial.
A incerteza vem de 400 reamostragens das urnas apuradas, técnica chamada bootstrap, somadas a um erro adicional calibrado com os 2º turnos de 2014, 2018 e 2022. O resultado é a faixa provável de 95% e a chance de vitória de cada candidato. O site só mostra "vitória provável" acima de 90% de chance e "vence" acima de 99,5%, e nunca com menos de 5% das urnas.
O método completo está publicado em um documento de seis páginas, aberto a qualquer pessoa, em placareleitoral.org/metodo.pdf.

Por que a parcial engana
As urnas não chegam ao TSE em ordem aleatória. Algumas regiões e cidades terminam a votação e transmitem os boletins antes de outras, e esses grupos costumam votar de forma diferente. Por isso a parcial do começo da noite fica longe do resultado final, e foi o que aconteceu de novo neste domingo: Flávio Bolsonaro liderou a contagem parcial até perto das 20h30, quando Lula passou à frente.
A projeção corrige essa distorção porque compara cada urna com ela mesma. Não importa se as primeiras urnas vêm de regiões mais favoráveis a um ou a outro candidato: o que conta é quanto cada um ganhou ou perdeu em relação ao 1º turno naquele lugar.
Conferência voto a voto
Além de projetar, o site leu um a um os boletins de urna publicados pelo TSE, cerca de 499 mil, e conferiu a soma, município por município, contra o resultado oficial. Em 5.688 dos 5.757 municípios, contando as cidades do exterior, os boletins batem voto a voto com o TSE: mesmos votos para cada candidato, mesmos brancos, nulos e comparecimento. Nos 69 restantes, faltam boletins que o tribunal somou, mas não publicou, e a diferença é compatível com as seções que faltam. Nenhuma divergência foi encontrada.
Testado em eleições passadas
Antes de 25 de outubro, o método foi testado refazendo, urna a urna, as noites de apuração dos 2º turnos de 2014, 2018 e 2022. Em 2022, com 5% das urnas apuradas, a parcial mostrava Lula com 46,6% dos votos válidos; a projeção, com os mesmos dados, dava 51,05%; o resultado final foi 50,9%. As três noites podem ser revistas no próprio site, com a parcial e a projeção lado a lado.
O que vem depois
O Placar Eleitoral vai acompanhar as eleições municipais de 2028, com 1º turno em 1º de outubro e 2º turno em 29 de outubro. Emissoras, jornais e portais podem usar o placar e o site completo da apuração com a própria marca. O balanço da noite, com o horário de cada decisão e o erro em cada estado, está em placareleitoral.org/balanco.
Transparência: o Placar Eleitoral e o 5News são mantidos pela mesma empresa, a Spartan TI.
Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de Placar Eleitoral — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em placareleitoral.org — o conteúdo pertence a Placar Eleitoral.